As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Berlinale (15)/Ele conseguiu

Luiz Carlos Merten

14 de fevereiro de 2019 | 16h07

BERLIM – Tina Dwek está no Gabriel Mascaro e também no Wagner Moura. Fátima Toledo faz a preparação do elenco de ambos os filmes – Divino Amor e Marighella. Minha caixa está cheia de e-mails alertando que tem embargo de crítica do filme de Wagner e só vou poder falar de Marighella amanhã. Wagner tem tanto perrengue comigo que não quero complicar, mas, sim, ele conseguiu. Não duvidava disso, mas o filme, falando sobre a resistência à ditadura militar no Brasil de 1968 tem tudo a ver com o País de 2019. Como Divino Amor, de Gabriel Mascaro; A Rosa Azul de Novalis, de Gustavo Vinagre e Rodrigo Carneiro; Chão, de Camila Freitas, etc, é mais um filme contra a corrente. Comunistas! Nas conversas com ÀS vezses, tenho a impressãso qwue asbnri a casixa de bandeirasdiretores brasileiros na Berlinale, e não apenas, está todo mundo alarmado com o rumo das coisas no Brasil. O governo está redefinindo prioridades, cortando patrocínios. A Petrobrás chega a anunciar que tentará revogar juridicamente acordos já firmados. Pura ideologia. A classe artística é majoritariamente de esquerda e cerrou fileiras contra essa gente que se esmerou em manipular para chegar ao poder, mas, sim, ‘eles’ tiveram o respaldo de nossos amigos, conhecidos, familiares que, de repente, tiraram a máscara da civilidade e se revelaram outra coisa. ‘Seja leal, amoroso, honesto’, é a mensagem final de Marighella para o filho. Lealdade! Às vezes tenho a impressão de que abri a caixa de Pandora e liberei demônios que ameaçam me devorar. Recebi uma mensagem – sucesso, alegria! Não no atual estado das coisas, com tudo aquilo em que sempre acreditei, no público e no privado, ruindo. Wagner termina seu filme com um personagem flutuando no mar. Não creio que o post possa configurar uma ‘crítica’. Manter-se à tona, reorganizar-se, acreditar de novo. A vida (a luta?) continua. E como diz o Clint no filme que estréia nesta quinta, no Brasil – A Mula -, ninguém é tão velho que não possa aprender, e recomeçar.

Tendências: