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Berlinale (14)/As duas Catherines

Luiz Carlos Merten

15 de fevereiro de 2017 | 11h56

BERLIM – Assisti ontem ao francês Sage Femme, de Martin Provost, com as duas Catherines – a Frot e a Deneuve. Uma mulher que se dedica a trazer crianças ao mundo (Frot) tem de ajudar a outra (Deneuve) a morrer, e o problema é que ‘Béatrice’ fez muito mal a ‘Claire’. Foi amante de seu pasi, separou-o da família – na visão delA – e o deixou numa tal depressão ao abandoná-lo que ele se matou. ‘É isso que você acha?’, pergunta Deneuve. As coisas nunca são tão simples. Provost é um diretor conhecido por seus retratos de mulheres – Séraphine, que ganhou um monte de Césares, o Oscar francês, e Violette são filmes de época. Sage Femme traz as mulçheres do autor para o mundo contemporãnero, com seus problemas específicos. É um filme muito bom, mas não creio que tenha o perfiçl de um filme festivalier. Será uma surpresa se ganhar o Urso de Ouro. Já algum prêmio de interpetação… Nas exibições até agora de O Rifle e Pendular, Davi Pretto e Júlia Murat leram uma careta firmada por profissionais do audiovisual, manifestando preocupação com o futuro do cinema brasileiro. Manuel Rangel está encerrando sua gestão na Ancine com resultados para apresentar, e a classe está cobrando continuidade de uma política pública que vem do governo PT e tem funcionado. Até por saber disso, achei que talvez houvesse algum tipo de manifestação no coquetel que, todo sano, a embaixada promove para homenagear a representação brasileira na Berlinasle de 2017. Não deu outra. Daniela Thomas puxou a leitura, um monte de gente foi se revezando para deixar claro que é coisa de coletivo. Não mais ‘fora, Temer’. Esse momento passou, mas a insatisfação e a incerteza permanecem. O embaixador foi irreal – acolheu o protesto, mas reafirmou o compropmisso do governo qwue represdenta com as culturas e disse que, se este asno temos 12 filmes brsasilerioreosd em Berlim, no asno que vem poderemos ter 20. Não com esse ministro da Cultura, belo. Vem mais coisa por aí, e o momento será a apresentação oficial de Joaquim amanhã, quinta, 16. Enfim, depois de passar pela embaixada corri ao Palast para ver Sage Femme e, assim, fazer as erntrevistas desta manhã. Assisti, pelo telão, à chegada das duas Catherines. A Deneuve, fazendo a sdi mesma. Surpreende-me sempre que, com mais de 50 anops de tapete vermelho, ela ainda faz cara de qwem se sente desconfortável no papel de mito. No filme de Provost, o papel tem ecos de sua persona – uma mulher libertária, que viveu como quis e não teme a morte, mas gostarias de sewguyir vivendo. Uma jogadora, e as cenas de jogo são tanto mais impressionantes porque parecem documentárias. Provost filmou com jogadores de verdade, gente que arrisca alto em cassinos privados (clandestinos?). sage Femme tem uma pégada à Claude Sautet. É bom demais.