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Berlinale (14)/Cabra bom, esse Mascaro. Divino Amor!

Luiz Carlos Merten

14 de fevereiro de 2019 | 11h21

BERLIM – Assisti agora pela manhã aso Gabriel Mascaro. A sessão de Divino Amor foi seguida de uma Q&A com o diretor. Esse moleque – desculpem dizer assim, porque o cara é até pai – é f… Depois de Vento de Agosto e Boi Neon, Mascaro reflete sobre a tomada do Estado laico brasileiro pela religião, isto é, as igreja evangélicas cristãs. Para um cara que pensa e deve estar sempre alerta para os signos da vida ao redor, errei feio na vida pessoal e terminei atropelado por fatos, quando os signos eram tão evidentes. Problema meu. O problema é o Brasil. Em 2000, quando João Moreira Salles fez Santa Cruz, comprei gato por lebre – lobo disfarçado em pele de carneiro – e fiquei impressionado com o filme, que mostrava o avanço das igrejas evangélicas naquilo que pareciam ter de bom. Uma massa de excluídos, que descobria por meio da religião a sua cidadania. Inclusão. Vinte anos depois, o que se vê é manipulaçãso, alienação, enganação, a vitória do reacionarismo. O filme mistura sexo e religião. Homens de pau duro, mulheres nuas, divino amor. Dira Paes é a notária que não quer apenas reaproximar casais em crise. Quer ter um filho. Considera-se inundada pela Graça. A versão 2027, quando se passa a ação, da Virgem Maria? Gostei muito, mas me pergunto como o filme será recebido no País. Faz um diálogo interessante com A Rosa Azul de Novalis, com seu personagem soropositivo que busca a transcendência e encontras Deus no próprio ânus. Blasfêmia? Deus não está em toda parte? Por que não estaria lá? São filmes fortes que espelham a questão que hoje virou essencial no Brasil. O poder retrógrado, não liberador, da religião. Passei pelo hotel e não resisti a acrescentar o post. Estou indo para assessão de imprensa de Marighella. E ainda não falei do Im Kwon-taek que vi ontem à noite em Berlinale Classics. São muitos assuntos, aos quais espero voltar.