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Berlinale (13)/Varda por Agnès

Luiz Carlos Merten

13 Fevereiro 2019 | 15h16

BERLIM – Agnès Varda veio mostrar seu testamento – ou autorretrato. Varda by (par) Agnès. De certa forma, esse filme é uma libertação para ela. Varda, de 90 anos – fará 91 em maio -, costuma ser convidada para dar master classes. C’est fini. Tudo o que ela poderia dizer sobre sua vida, o trabalho, está no filme. Basta projetar Varda by Agnès. No palco de um grande teatro, ela se dirige ao público sentada na sua cadeira de diretora. Mostra cenas de filmes, conversa com amigos. Lembra Jacquot, seu amado Jacques Démy. A saudade das coisas mortas que permanecem vivas na lembrança. Varda nunca quis dizer nada com seus filmes – ela jura. Só queria olhar as pessoas com a câmera e compartilhar sua visão. Regarder, partager. E assim fez filmes que pertencem à história – Cléo das 5 às 7, As Duas Fasces da Felicidade, Visages Villages (em parceria com JR). Achei bonito, confessional. Porque está velha e todo mundo acha que vai morrer, Varda tem recebido muitos prêmios. Ela agradece, mas acha injusto. Outras mulheres diretoras, a quem admira, também deveriam estar sendo recompensadas. Na verdade, Varda reconhece que está sendo usada como desculpa para que as outras sejam ignoradas. O mais interessante é sua autodefinição. No século 21, era uma cineasta. No 21, é uma artista. Não por acaso, o filme é produzido pelo MoMA, pela Fundação Cartier. Agnès Varda virou uma grife, e das mais chiques do cinema.