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Berlinale (12)/Madame ‘trator’ e sua defesa do cassamento gay

Luiz Carlos Merten

13 de fevereiro de 2019 | 14h52

BERLIM – Isabel Coixet é uma diretora interessante, até quando não gosto dos filmes dela. Ocorre que ultimamente dei de gostar – A Livraria, Elisa e Marcela, que está concorrendo na Berlinale. O filme, em preto e branco, é uma produção da Netflix. Vaias da imprensa quando apareceu o logo da empresa, mas como diz Isabel – ‘Na primeira linha do roteiro já dizia que seria em preto-branco. Há dez anos, ninguém queria nem ouvir falar de um filme que não fosse em cores. A Netflix me apoiou, inclusive na decisão de trazer o filme a Berlim para dar chance a essas garotas (as atrizes Natalia de Molina e Greta Fernández).” Elisa e Marcela será lançado nos cinemas da Espanha. isabel Coixet é meio trator. E é engraçada. Fez um requisitório em defesa do casamento gay – duas mulheres que desafiam o stablishment na Galícia, no começo do século passado -, com direito a estatísticas no desfecho (quantos países autorizam a união entre pessoas do mesmo sexo, quantos penalizam a homossexualidade, etc). E aí, na coletiva, ela revelou que o importante é o princípio, a defesa do direito, porque pessoalmente é contra qualquer casamento – hetero, homo. Diz que o amor não pode ser submetido à vulgaridade de um documento escrito para existir. Curioso ponto de vista. Elisa e Marcela é visualmente muito bonito, mas sua mise-en-scène funcional é um tanto ilustrativa da linearidade do roteiro. Nenhuma grande tensão. Apesar dos temblores, um filme pacífico. No final, a garota que foi abandonada pela mãe vem perguntar se valeu a pena? A fuga, a rejeição, a cadeia? Tudo isso compensado pelas cenas de sexo. Compensado?