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Berlinale (11)/O querido neto de Deneuve

Luiz Carlos Merten

12 de fevereiro de 2019 | 16h57

BERLIM – Não reli meu post anterior, sobre o impacto que me produziu A Rosa Azul de Novalis. E hoje não só vi o André Techiné como fui à coletiva de L’Adieu à la Nuit para (re)ver Catherine Deneuve. Ambos, a atriz e o diretor, possuem uma longa parceria. Lá atrás, no meu comecinho em Cannes, em 1992 ou 93, eles já estavam na disputa com Minha Estação Preferida, e naquela época já tinham estrada (juntos). Um dos melhores filmes deste ano está sendo Meu Querido Filho, do tunisiano Mohamed Ben Attia. O pai que segue a trilha do filho no mundo islâmico, depois que o garoto foge de casa para se integrar à Jihad. Techiné fez o que não deixa de ser Meu Querido Neto, com a diferença que Deneuve, como avó, se antecipa. Ela descobre que seu garoto está seguindo a trilha do terror e faz de tudo para impedi-lo. Techiné sempre filmou a juventude, mas o tempo passou e ele agora busca outro viés para seguir falando sobre os erros, as indecisões, as paixões dos jovens. Não é nenhum Ben Attia, mas gostei (muito). E Deneuve carrega a força do mito. Na coletiva, ela n~so fugiu de nenhum tema. Refugiados, terrorismo, extrema-direita. É contra demonizar o Islã, porque preconceito gera mais violência. O que ela pediria a seu governo, a Macron? Que não generalize. Cada caso é um caso. Confesso que me emociono com a dignidade dessas figuras que não me decepcionam. Como li em algum lugar, é bom, saber com quem contar na trincheira.

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