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Berlinale (10)/Agora, sim, começou!

Luiz Carlos Merten

13 de fevereiro de 2016 | 14h55

BERLIM – Ainda atordoado pelo impacto de Fuocommare, saí abruptamente da coletiva de Gianfranco Rosi e corri ao Palast para ver o futuro, segundo Mia Hansen-Love. L’Avenir, Things to Come. O festival, definitivamente, começou. Depois dos jovens, e da música, de Éden, Mia filma de novo o tempo e seu percurso, seus efeitos na vida das pessoas. Seu filme começa com uma greve de estudantes que paralisam o liceu e cobram políticas públicas sobre educação e emprego. Está em jogo o futuro deles. Isabelle Huppert fura o bloqueio e entra no liceu para dar sua aula. Mas ela não é uma fura-greves. Como professora de filosofia, busca em sua vida pessoal como na dos estudantes estimular a reflexão, para que ação e pensamento andem juntos. Isabelle tem dois filhos que têm ciúmes de seu aluno preferido, tem um marido com quem vive há 25 anos e uma mãe doente que exige dela, noite e dia. De repente, ela vai perder tudo isso para poder recomeçar – e ser confrontada com a própria liberdade. Mia é jovem. Filma ideias, que coloca em palavras. Seu cinema soma ao dinamismo dos diálogos a mobilidade da câmera, dos atores. L’Avenir/O Futuro é um filme que se mexe – bouge – o tempo todo. O que é a práxis senão a intervenção humana na sociedade e na natureza? É o tema de L’Avenir. Quanto a Isabelle Huppert, grande atriz, há tempos ela vinha sendo maior que seus filmes. Por um tempo, ela reencontra, novamente, umas grande personagem e uma grande diretora.