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Berlinale! (1)

Luiz Carlos Merten

05 de fevereiro de 2015 | 21h38

BERLIM – Em geral, não gosto muito dos filmes de Isabel Coixet e nem entendo como essa diretora espanhola tem tanto prestígio na Berlinale. Nobody Wants the Night, Nadie Quiere la Noche, que abriu o Festival de Berlim, é seu sexto filme que passa aqui (em diferentes seções). Ao contrário de mim, José Carlos Avellar gosta bastante de Coixet e isso deve explicar porque eu gostei do novo filme e ele, não. Ninguém Gosta da Noite, ou Ninguém Deseja a Noite, passa-se no começo do século passado – em 1908 – e se inspira em personagens reais. Uma socialite de Nova York segue o marido na Groenlândia, onde ele sumiu tentando chegar ao Polo Norte. Com uma determinação de ferro, ela enfrenta a natureza hostil e deixa um rastro de morte pelo caminho. Abandonada com uma mulher esquimó na base – um casebre – ao qual o marido, o lendário Robert Peary, deve voltar, ela descobre que o cara engravidou a esquimó. Em condições extremas, ambas se ajudam e a ricaça passa por uma experiência transformadora. Mas não muda tanto assim, conforme informa o letreiro final e eu não conto mais nada para não tirar a graça. Avellar acha que Coixet não se dá bem com o melodrama. Eu, também, e até acho que o filme dela está mais na vertente de François Truffaut, como obra de uma romântica que desconfia do romantismo. Nem isso – Coixet, decididamente, não é romântica. Está mais para o que se define como mulher de faca na bota, objetiva, realista e com os pés no chão. Considerando-se que são pequenas mulheres à sombra de um grande homem, mas há controvérsia se ele foi mesmo grande, era fatal que, na coletiva, surgisse o tema dos gêneros. Homens e mulheres, homens x mulheres. Coixet confessou que não tem paciência para esse tipo de coisa. Mulheres têm tetas e vagina, homens têm pinto e isso é da natureza dos gêneros. Somos diferentes, e o que ela quer discutir é igualdade. Por que mulheres ganham menos? Nós, mulheres, queremos dinheiro, proclamou, mas deixando subentendido que o dinheiro deve vir do próprio trabalho e não pelo sustento de maridos e amantes. É a terceira ou quarta vez que a vejo em coletivas, e me dá sempre as impressão de ser um trator. Não resisto a postar que, há anos, sonho com um confronto – não seria um simples diálogo – entre Coixet e Laerte para debater os gêneros. Seria bem interessante. Meu dia prosseguiu bastante complicado depois das coletivas – no plural, porque antes houve a do júri -, já que meu mouse deu pane e tive a maior dificuldade para operar manualmente o laptop. Quem manda ser aleijado, diria aquele mocinho fino do Recife, o Aragão, montado nas suas quatro patas? Deus me livre, o que me fez pensar naquele cara? Prossigo, vi o filme gaúcho no Fórum, e embora Beira-Mar seja simpático me decepcionou bastante. Não sei nem se consegui dar conta desse sentimento no texto de amanhã no Caderno 2, mas prometo voltar ao filme de Felipe Matzembacher – fui colega de um Matzembacher em Porto Alegre; haverá parentesco? – e Márcio Feolon. Cheguei ao hotel e comecei a redigir esse post dando conta do dia vindo diretamente do cinema que mostrava Sangue Azul. O filme de Lírio Ferreira, olhem a honra, abriu o Panorama com projeção simultânea (na verdade, com intervalos de 15 minutos) em quatro salas. Houve debate, Q&A, depois. O público aplaudiu muito e ficou maciçamente, o que, pelo adiantado da hora – e o frio lá fora -, dá conta do interesse por Sangue Azul. Daniel de Oliveira estava presente. O distribuidor de Sangue Azul, Jean-Thomas Bernardini, da Imovision, também. Ele me disse que a estreia será em abril, mas a data ainda não está definida. Não sou um grande fã do filme, mas acho muito bonito aquele final com Ruy Guerra, que remete ao mito. Hoje não deu – estava brigando com o mouse, não sei nem se vou conseguir salvar/imprimir esse texto -, mas também prometo rever Sangue Azul. para me dar uma chance de gostar do filme que aqui foi tão amado. Um monte de gente e até o curador Wielland Speck disse que é um grande filme.

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