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Berlinale (1)/Alemanha, Novo Zero

Luiz Carlos Merten

20 de fevereiro de 2020 | 12h59

BERLIM – Cheguei ontem, e ao deixar o hotel para buscar minha credencial a primeira coisa que vejo próximo ao mercado é o post do filme de Caru Alves de Souza, My Name Is Baghdad. Espero que tenha sido um bom sinal. Passei pelo hotel para redigir o material do dia – um Diário de Berlim, que espero fazer diariamente no online. Já assisti a dois filmes, nenhum deles em concurso. O primeiro foi o Jia Zhangke, Swimming Out Till the Sea Turns Blue, que me encantou. Há tempos quer o cinema de Jia não andava me interessando muito, suas incursões pelo gênero. Sua volta aso documentário me impressionou muito. Histórias de três gerações. Agricultores que tiveram de tornar a terra árida cultivável para vencer a fome no fim dos anos 1940 e seus descendentes – artistas, intelectuais, escritores – e a nova geração que usufruiu das benesses da riqueza chinesa. A China, da fome a potência mundial. Logo em seguida veio a sessão de imprensa do longa de abertura da 70.ª Berlinale – My Salinger Year, de Philippe Falardeau. a garota que chega a Nova York sonhando ser editora e vai trabalhar como assistente numa editora de prestígio. O grande nolme da casa é ‘Jerry’, J. D. Salinger, e Margaret Qualley fica encarregada de fazer a ligação do autor recluso com a editora. acima dela, sênior, Sigourney Weaver, uma megera. Parece que vai rolar um novo Diabo Veste Prada, mas não tem nada a ver. Gostei. É cute – bem bonitinho. Uma cena – Margaret, ela se chama Johanna, trocou de namorado, o ex reaparece. Não quer sair da vida dela. Diz que sente saudade. Amigos? Ele toca flauta. A reaproximação sobre fundo musical – amigos! – é linda. Tocou-me. Um filme sobre crescimento individual, sobre afeto. Por esses dois filmes de abertura não sei aonde vai me, ou nos, levar essa Berlinale. Esse primeiro dia está sendo confuso. Muita coisa mudou, inclusive fisicamente. Locais reservados para a imprensa nos últimos 15 anos foram desativados. O próprio Arkaden, o shopping grudado ao palast, onde fazíamos as refeições, está em obras. Tudo fechado – só funciona o stand do festival. Estou me (re)adaptado. Alemanha, Novo Zero (um título de Jean-Luc Godard). Apesar da confusão, os filmes ajudaram a manter o bom humor.

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