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Berlim (6)/O efeito Toni Erdmann

Luiz Carlos Merten

10 de fevereiro de 2017 | 21h57

BERLIM – Coloquei, no post anterior, quer o filme Wilde Maus/Wild Mouse, de Josef Hader, era dinamarquês. Deixem-me corrigir rápido. A produção é austro-alemã e o cara é austríaco, um ator, diretor e autor de comédias multipremiadas no teatro e no cinema. O filme tem uma pegada parecida com a de Toni Erdmann, de Maren Ade. Humor teutônico, pesado como chumbo – eu não consigo rir -, e que se constrói numa espiral de violências e absurdos a desembocar no surrealismo. Em vez de pai e filha, temos agora marido e mulher. Ele é crítico de música eruditas, é despedido jornal e esconde da mulher que, como psiquiatra, também não vai muito bem das pernas em seu consultório (e é mais louca que qualquer paciente que possa ter). E, aos 43 anos, ela corre contras o relógio biológico para engravidar, o que aumentas o estresse do marido. O protagonista, Georg – interpretado pelo próprio Hader -, resolve se vingar do diretor de redação que o demitiu e, aos poucos, ou rapidamente, a situação escapa ao controle. Parte do público – os alemães da plateia – ria muito. Eu fiquei pensando comigo que Toni Erdmann está fazendo escola nos festivais e, sinceramente, não acho boa coisa. Liguei há pouco para meu amigo Dib Carneiro, com quem não falava há dias, e ele me disse que saiu hoje, aí em São Paulo – já é sábado,. para mim , no meio de um filme, o que não fazia há asnos. Arrisquei que o filme era Toni Erdmann, e não deu outra. Mas Wilde Maus é tão derrisório, embora com alguma esperança no desfecho, que é capaz de agradar a herr president – do júri -, Paul Verhoeven.