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Berlim (2)/E Trainspotting acha seus limites

Luiz Carlos Merten

09 de fevereiro de 2017 | 21h46

BERLIM – Há um culto a Trainspotting – Sem Limites, o longa de estreia de Danny Boyle, de 1996, que foi escolhido, oito anos mais tarde, pelo The New York Times, como um dos 100 melhores filmes já feitos. Quatro amigos em Edimburgo, unidos/desunidos pelo vício da heroína – Begbie, Renton, Sick Boy, Spud. uma história de amizade e traição. De cara, um, deles faz um discurso revelador – por que vai querer emprego, casa, carro, uma televisão enorme – se tem heroína? Por causa da droga, Renton foge com o dinheiro do grupo e agora ele está de volta. Passaram-se 20 anos, Begbie arranja um jeito de sair da cadeia, Sick Boy usa a namorada, Veronica, para chantagear otários, Spud tenta se matar e é salvo por Renton. ‘Depois de estragar minha vida, você estraga minha morte’, grita Ewan Bremner para Ewan McGregor, quer toma porrada de Jonny Lee Miller, o Sick Boy. O mais violento do grupo é Robert Carlyle, Begbie, que força o próprio filho a participar de seus golpes e faz de tudo para matar Renton. A vida fede, a vida é uma m…, é o salve-se quem puder e o que o filme conta é a história de outra traição. Um discurso parecido com o do outro filme – ‘Escolha viver.’ Não mais no paraíso artificial da droga, mas do jeito que se pode. Três conseguem, um não. é curioso pensar como diversos filmes estão querendo refletir sobre a vida, neste momento. Moonlight é sobre viver a vida da gente, não a dos outros. Jackie é sobre a morte como espetáculo para criar o mito. Django, que abriu hoje o Festival de Berlim, é sobre a vida como improviso, como o jazz. E T2 – Trainspotting é sobre a vida que podemos, sobre o restauro das ligações afetivas, da amizade – e sobre as compreensão de por quê, às vezes, traímos os outros e nós mesmos. Não fiquei empolgado, mas gostei. Em 1996, Danny Boyle abriu umas via que muitos seguiram depois. Guy Ritchie, por exemplo. Danny Boyle fez Extermínio, Sunshine – Alerta Solar, ganhou o Oscar com Quem Quer Ser Um Milionário? e fez aquele filme estranhíssimo, 127 Horas, sobre um homem que precisa se autocanibalizar para manter a vida, mesmo faltando alguns pedaços. Talvez seja a ideia por trás de T2. Só na ficção – Spud escreve histórias – a vida pode ser perfeita. Mas, ao longo desses 20 anos, o que era visceral virou estilo. será difícil, senão impossível, que daqui a oito, ou dez anos, TNYT queira incluir também T2 entre os melhores filmes de todos os tempos.

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