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Bergman, homem centenário

Luiz Carlos Merten

14 de julho de 2018 | 09h47

Completa-se hoje o centenário de Ingmar Bergman. Ele nasceu em Upsala, 14 de julho de 1914. Morreu em Faro, 30 de julho de 2007. Vão se completar 11 anos. Teria de fazer uma pesquisa – que não farei – para ver exatamente quando fui a Faro, convidado pelo Sweden Institute, para assistir a uma série de lectures sobre Bergman. Em toda a história desse blog, publiquei apenas duas fotos. No primeiro post, a imagem do ataque às torres gêmeas, que ainda era recente, e a outra, a foto do túmulo de Bergman, que visitei em Faro. Ontem, gravamos, Ubiratan Brasil e eu, um especial sobre o grande diretor. Não só ele – também sobre a exposição Hitchcock – Bastidores do Suspense, que abriu no MIS. Não havíamos combinado nada, e Bira me propôs algumas pegadinhas. O que Bergman e Hitchcock têm em comum, qual o filme maids bergmaniano de Hitchcock, o mais hitchcockiano de Bergman. Tive de pensar rápido e fazer ilações talvez malucas, mas que depois me pareceram ter feito sentido. Interessante. Nunca havia pensado por esse viés. As comemorações de Bergman neste sábado – o documentário Bergman 100 Anos, de Jane Magnusson, sobre a excepcional criatividade do autor no ano de 1957, terá pré-estreia nos cinemas; o outro documentário, Bergman Por Detrás da Máscara, de Manuelle Blanc, sobre Persona (mas não apenas), será exibido no canal Curta! e a Rede Telecine, no canal Cult, anuncia uma maratona de seis filmes, começando às 12h45 com O Ovo da Serpente. Serão exibidos O Sétimo Selo e Morangos Silvestres – o ‘meu’ Bergman. O primeiro Bergman a gente não esquece? Não estopu seguro de não haver esquecido o meu. Quero crer que tenha sido Noites de Circo, em alguma reprise em Porto Alegre, mas pode ter sido o mais acessível No Limiar da Vida. Era garoto e o expressionismo de Noites de Circo me caiu mal. Anos mais tarde, o filme tornou-se um dos meus assuntos de conversa preferidos com Walter Hugo Khouri. Bergmaniano de carteirinha, Khouri chegava a ser chamado de ‘sueco’. Contava-me sobre o que foi, para Rubem Biáfora e ele, a descoberta do filme no Festival Internacional de São Paulo, comemorativo dos 400 anos da cidade. Gostei muito mais de Sorrisos de Uma Noite de Amor – pela safadeza, confesso; os filmes suecos e franceses eram muito mais liberais que a puritana produção de Hollywood e uma ilha da fantasia para garotos punheteiros de todo o mundo -, mas o choque veio com Morangos Silvestres. Ainda patinei com O Silêncio, mas O Rosto, que vi depois, foi outra revelação. A partir de Persona, ridiculamente batizado no Brasil como Quando Duas Mulheres Pecam – elas não pecam -, e através de A Hora do Lobo, Vergonha e A Paixão de Ana, tive a iluminação. Amei A Hora do Amor, redundância, Gritos e Sussurros e vi Fanny e Alexander apenas uma vez. É, dos grandes filmes de Bergman, o de que menos gosto. Talvez devesse revê-lo. Gosto do jantar, mas o filme, naquela única vez, me pareceu interminável. Será? Nunca tive coragem de rever. Adorei A Flauta Mágica, Da Vida das Marionetes, Depois do Ensaio. Bergman entrou para o meu panteão. Influenciou Khouri, Biáfora, Leopoldo Torre Nilsson e… Eric Rohmer. Foi dos maiores diretores do cinema. E hoje se festeja seu centenário. Ave, Ingmar.

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