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Bergman, 100 anos

Luiz Carlos Merten

02 Julho 2018 | 14h24

De volta ao cinema. E lá venho eu, o último com as primeiras. Descobri somente no sábado, quando tentei ver Dedo na Ferida no Cinesesc – Flávia Miranda me disse que o problema foi da produção, que não enviou o DCP do filme de Sílvio Tendler – que a sala apresenta uma retrospectiva de Ingmar Bergman, comemorativa do centenário do grande cineasta, no dia 14. Dura apenas uma semana e, na verdade, termina amanhã, porque a sala vai abrigar um simpósio de mulheres no audiovisual, na quarta. Sobraram poucos filmes, hoje e amanhã. Fanny e Alexander, às 17 h desta segunda, e Através de Um Espelho, às 21 h, ambos vencedores do Oscar de filme estrangeiro, e o primeiro somou mais três ou quatro prêmios da Academia, incluindo fotografia, direção de arte e figurinos. A autobiografia de Bergman, pelo próprio Bergman, vista pelos olhos de duas crianças. Um filme suntuoso, mas que nunca coloquei entre os meus preferidos. Talvez devesse revê-lo hoje, mas estou`mais inclinado a ir às 9 para rever o mais sombrio Através de Um Espelho, que inicia a trilogia do silêncio de Deus, que prosseguiu com Luz do Inverno e O Silêncio. São todos filmados em rigoroso preto-e branco e, para muitos críticos, representam o limite das dúvidas religiosas de Bergman, mas também um momento de virada estética, quando ele, trocando de diretor de fotografia, substitui Gunnar Fischer por Sven Nykvist e finalmente encontra e firma o seu estilo de close-ups e sombras mais nuançadas. Através de Um Espelho. Quatro personagens – Harriet Andersson, instável mentalmente; seu pai, Gunnar Bjornstrand, escritor medíocre que segue com mórbida atenção o que poderá ser o colapso emocional da filha; Max Von Sydow, o médico que sabe tratar do corpo mas ignora tudo sobre a alma; e ‘Minos’, o pequeno, Lars Passgard. Com o filho menor, o velho escritor terá um monólogo/diálogo decisivo. “O amor, se existe, prova a existência de Deus, ou o amor é que é Deus?” Na terça, no encerramento da retrospectiva, teremos dois filmaços – Quando Duas Mulheres Pecam/Persona, às 17 h, e Gritos e Sussurros, às 21 h, mas sobre esses falarei amanhã.