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Bem bom (mas só na segunda metade)

Luiz Carlos Merten

05 de maio de 2013 | 19h43

Em casa, de novo. Mas será por pouco tempo. No fim de semana que vewm já estarei indo para Paris – e Cannes. Depois, Paris, mais uma vez, para novo encontro do cinema francês. E agora até me acenam com a Suécia, no começo de junho. Estava me preparando para assistir a Pedalando com Molière, no Festival Varilux. O filme encantou meu amigo Rodrigo Fonseca, que achou sua construção intrigante e tanto pode ser uma encenação contemporânea da peça, acho que O Avarento, como uma história real, en cpostume, desenrolada na época do grande dramaturgo. O teatro, que já está em O Homem Que Ri e em Alain Resnais (‘Vocês ainda não VIram nada’), não sai de cena em Pedalando com Molière. Mas, enfim, estava me preparando – minha amiga Leila Reis me chamou para jantar e convite de amigo que a gente não vê há tempo, só louco para declinar. Lá vou eu e, por conta disso, preciso achar outro horário para o Molière do cinema. Tenho de confessar que estou achando muito estranho o novo horário do Caderno 2, o novo formato dos Filmes na TV, agora reduzido a ‘filme’, um destaque minúsculo. O jornalismo encolhe e eu me pergunto, sinceramente, se é isso que o leitor quer, da mesma forma que me faço outra pergunta – se há futuro para o impresso? O que querem os jovens? Quem são eles, qual o seu perfil? Muito justamente, fui ver ontem Somos tão Jovens, a história dos verdes anos de Renato Russo, contada por Antônio Carlos Fontoura. No Recife, encontrei Rubens Ewald Filho, que me pediu, para um projeto que ainda não entendi direito, uma lista dos 50 maiores filmes do cinema brasileiro. E ele me pediu que fosse bem pessoal – coloquei Selva Trágica na cabeça, Roberto Farias antes que Glauber, Nelson, Ruy e os outros. Mas não hesitei em acrescentar Rainha Diaba, de Antônio Carlos Fontoura, senão entre os 10, entre ops 20+. Pensei até em fechar a lista com, outro Fontoura, Copacabana Me Engana, mas deixei de fora.  Ele era tão bom. Perdeu-se no exotismo afrobrasileiro de Cordão de Ouro, foi para a TV e retornou com um filme cheio de boas intenções, mas fraquinho, sobre a infância carente da Bahia (‘No Meio da Rua’). Confesso que, apesar da minha estima pelo primeiro Fontoura, tremi nas bases quasndo descvobri que ele seria o dioretor da cinebiografia de Renato Russo. E aqui uma pausa – o que sei do rock brasiliense foi por meio do documentário (bom) de Vladimir Carvalho. No fim dos anos 1960 e nos 70k eu amava os Beatles (mais que os Rolling Stones), mas era mesmo tiete da ‘Negra’ (Mercedes Sosa), do Quillapayun, de Alfredo Zitarrosa, de Amelita Baltar (a fase folclórica). Mais conga y poncho, impossível. Conhecia pouqwuíssimo da vida e da própria obra de Renato (‘Que País é este?’). Tenho de admitir que o começo do filme não me animou. Fontoura deve tere liodo ‘trocentas’ entrevistas de Renato e de cara quer nos convencer que era um Rimbaud do Planalto Central. Ele não fala nem age como um aAdolescente – é o gênio precoce despejando frases de efeito. É mais ou menos como a bviografia de Glauber Rocha por Nelson Motta, que também exagera no afã de antecipar o gênio. Renasto Russo é um chato e o filme é insuportáverl, ou melhor, seria, se Tiago Mendonça não fosse tão bom no papel. E aí se passa qualçqwuer coisa – a briga de Renato em casa, quando ele cobra atitudes do pai e da mãe e termina por derrubar Marcos Breda. O rebelde de Feliz Ano Velho virou o pai, senão exatamente repressor, mas burocrata, que parece não erstar nem aí para o estado das coisas, no Brasil sob a ditadura. Abraçam-se, chorasm, uma cena linda. É o momento da virada. A partir daí, tudo fica mais interessante. A amiga, a (homos)sexualidade, o estranhamento com os colegas de banda (e Bruno Torres também está bem), a ruptura, as rupturas e os recomeços. A segunda metade melhora muito, Antônio Carlos Fontoura reencontra a pulsação de Copacabana (sobre a classe média) e Diaba (a marginalidade). Terrminei gostando de Somos tão Jovens.

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