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Bbbeeemmm

Luiz Carlos Merten

14 de setembro de 2012 | 09h09

Nem tive tempo de postar ontem. Como a comemoração do meu aniversário, na véspera, entrou pela madrugada – os amigos lotaram o Bra.Do, havia povo do teatro, do cinema e do jornal -, cheguei tarde na redação do ‘Estado’, com matérias para fazer e ainda correndo atrás de Maïwenn, a atriz e diretora de ‘Polissia’, que estreia na sexta que vem. A entrevista foi jogo duro, primeiro porque atrasou, depois porque perdi a conexão e não conseguia mais falar com ela, e finalmente porque acho que a Maïwenn, cansada de dar entrevistas, partiu para os monossílabos. Só ao fazer alguns elogios (sinceros) dobrei a fera e ela se soltou um pouco mais. Ufa! Nem tive tempo de almoçar. Corri para a cabine do novo ‘Dredd’, na Paris. Peter Travis volta-se para o comics que Danny Cannon já havia adaptado com Sylvester Styallone em 1995. Na caótica Terra do futuro, policiais são juízes e executores – é no mínimo curioso ver o filme à luz do mensalão, quando o juiz Dredd e uma aspirante são presos numa armadilha, num prédio gigantesco, e surgem, para resgatá-los, juízes corruptos. Há uma teatralidade interessante que realça os jogos de palavras e as questões da aparência e da confiabilidade. Aliás, seria interessante, mas não tenho paciência, examinar o julgamento real à luz da semiologia, o que me surpreende que ninguém ainda tenha feito. Pode-se fazer a mesma coisa na campanha para prefeito. Russomano é uma coisa nos outdoors espalhados pela cidade e outra, muito diferente, ao vivo, na TV. Dir-se-ia, em termos de maquiagem, que chegam a ser duas pessoas. Qual a persona real? À noite, jantei com Gabriel Villela e Cláudio Fontana, que não haviam podido ir ao Bra.Do na noite anterior. Fomos de Mestiço, que fecha 15 anos com o mesmo cardápio. Que maravilha! Pude desfrutar do meu ‘néctar’, delicioso. De volta aos filmes, ‘Juiz Dredd’ e ‘Dredd’, o antigo era muito ruim, o atual, não é que seja bom, mas Peter Travis não é burro, ah, isso não. Ele fez ‘Fim de Jogo’, Endgame, sobre o conflito que se estabelece quando representantes dos beligerantes brancos e negros se encontram secretamente na Inglaterra para discutir o fim do apartheid, com William Hurt e Chiwetel Ejiofor. A garota que quer ser juíza e espera fazer a diferença´é uma sensitiva, que consegue ler a mente dos outros, o herói, ao contrário de Stallone, nunca tira o capacete e é uma espécie de RoboCop, com seus movimentos estáticos, olha o paradoxo, mas o melhor de tudo é a concentração de tempo e espaço. Com exceção do prólogo, o filme inteiro se desenrola num único espaço, numa única situação, quando a dupla de juízes tenta adentrar a cidadela da traficante Ma-Ma. ‘Dredd’ é violento, muito, mas, na verdade, não era sobre esse filme – o encapuçado é Karl Urban, mas como disse nãso se vê a cara dele, só a boca -, que queria falar. A Caroline, que faz a assessoria da Paris, me deu a que, para mim, foi uma boa nova. Achei o ‘Totalmente Inocentes’ bonito, uma aposta difícil do diretor Rodrigo Bittencourt e de suas ‘tias’, as produtoras Marisa Leão e Iafa Britz. Achei que, como todos os lançamentos brasileiros recentes, o filme tivesse ido mal. Não foi bbbeeeemmmm, mas com cerca de 100 salas (em projeção digital) e 120 espectadores por sala, o filme chegou a 110 mil no fim de semana. Um pouco de boca a boca poderia ajudar a paródia de favela movie a deslanchar. De minha parte, adorei o desfecho – a idéia da cor já estava impressa no roteiro desenhado pelo Rodrigo, mas a música sobre a imagem, Gonzaguinha, foi contribuição da produtora (Marisa). Iafa talvez não goste, mas ela queria que Rodrigo tivesse filmado um beijo de Fábio Assunção na garota, para usar ou não. Ele bateu pé. Nãããoooo. Fez muito bem. Se tivesse filmado, poderia ter sido persuadido a usar. Cortou o mal pela raiz.

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