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BBB, lá e cá. Jean Wyllys entre os homens de bem

Luiz Carlos Merten

17 de novembro de 2016 | 09h37

Fui ver ontem um programa do Mix Brasil no Circuito Spcine, Cine Olido. Estava perto, nem sabia o que poderia ser. Era Entre os Homens de Bem, sobre o deputado Jean Wyllys. Confesso que, na galáxia em que vivo, não sabia muito sobre ele. Que começou no BBB, por exemplo. Sabia mais da atuação no Congresso e do embate com os representantes da bancada, vejam só, BBB (Boi, Bala e Bíblia). A experiência do filme foi muito interessante. Caio Cavechini e Carlos Juliano Barros são os diretores. Filmam seu personagem participando de debates em comissões da Câmara. É sem tirar nem pôr a mesma canalhice retratada em Martírio, de Vincent Carelli. O cinismo dos deputados pastores, tipo Jair Bolsonaro e Marcos Feliciano. Deus desertou da humanidade. Instituiu o livre arbítrio e f…-se vocês aí embaixo. Bolsonaro invoca a Bíblia, disserta sobre sexo como procriação para defender a família e ser contra o casamento gay, mas se entrega. Um homem suposto de bem não sorri aquele sorriso canalha. Tem uma troca de olhares entre Feliciano e ele enquanto Jean Wyllis fala no primeiro plano em que você lê o que estão pensando, e não é decente. Só aquilo já os condenou ao inferno, claro que se o Senhor estiver (estivesse?) atento ao que faz seu ‘povo’. Semiologia. A ciência que estuda os signos. Na maioria dos casos, engana-se quem quer. Você vê hoje imagens de Adolf Hitler como chanceler da Alemanha e já está tudo lá. Ele não virou um monstro depois. As pessoas é que não viam. Não queriam ver. Há – quantos? -, 56 anos, Richard Brooks, o grande, fez um filme talvez avançado para a época, mas que tem tudo a ver com o aqui e agora. Elmer Gentry, Entre Deus e o Pecado. Deveria estar passando em looping, 24 horas, para que o público se desse conta de onde está metido. Burt Lancaster, numa Oscar winning performance, como o pastor que vende Deus como outros vendedores, antes dele, vendiam tônicos. Não se trata de ser antirreligião, qualquer uma. É o princípio do Estado laico. Nem sabia que se fazem cultos evangélicos semanais dentro do Congresso. Enquanto isso, a segurança dá pau nos que protestam. Dois pesos, duas medidas. A bancada BBB e a ruralista, filmada por Carelli, são exatamente iguais. Uma defende a família, a outra defende terras. Defendem exatamente a mesma coisa. Poder. Índio bom é índio morto. Gay, a mesma coisa. O que incomoda tem de ser eliminado. Religião, princípios, não têm nada a ver com isso. O que existe é um cerimonial que mobiliza as pessoas, dá sentido a suas vidas miseráveis e termina fortalecendo o conservadorismo ignorante. Ignorante? Não das técnicas nazistas de manipulação do imaginário coletivo. No pós Trump, Bolsonaro já sorri aquele sorriso e pede – esperem 2018… Seria cômico, se não fosse trágico.