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Bacurau e o ‘Brésil de Bolsonarô’

Luiz Carlos Merten

27 de dezembro de 2019 | 08h22

Já escrevi aqui que, tão forte quanto o antipetismo que colocou Jair Bolsonaro no poder, é o antiklebrismo que existe e contamina o cinema brasileiro. (Será que tenho de escrever klebismo?) Kleber Mendonça Filho concorreu duas vezes à indicação para o Oscar. Talvez tenha concorrido uma terceira por O Som ao Redor, não lembro, mas foi preterido por Aquarius e por Bacurau. Nas duas vezes, eu estava lá, as comissões disseram que haviam escolhido filmes com a cara do Oscar. Obviamente, não sabem o que é isso. Nem o da família de velejadores, nem A Vida Invisível – muito melhor – chegaram lá. Morreram na praia, não foram nem para a shortlist. Jamais saberemos se Bacurau teria ido. Fica a dúvida. Eu creio que sim, no ano de Parasita e Les Misérables, Bacurau teria ficado entre os dez. Teria feito todo o sentido. Emendei Brasília com o Rio, devia fazer um mês, ou quase, que não ia à banca do Conjunto Nacional, na Av. Paulista. Fui ontem – ainda bem. Comprei a nova Film Comment, com Adoráveis Mulheres na capa (e uma extensa entrevista de Greta Gerwig), mais a crítica do The Irishman lá dentro. Comprei também a Empire, com a 2020 preview, featuring Wonder Woman, James Bond, Black Widow, Top Gun – Maverick, Birds of Prey, Dune e…. The Mandalorian (mais um retorno a O Clube da Luta – Por dentro dos arquivos de David Fincher). Havia mais. Duas edições de Cahiers du Cinéma, e a de setembro, com a volta das férias – La Rentrée Cinéma -, coloca na capa Bacurau e Le Brésil de Bolsonaro (os franceses dizem Bolsonarô), com direito a entrevista dos meus garotos, Kleber e Juliano. Não rezo pela cartilha de Cahiers, mas sei do prestígio internacional da revista e o que representa aquela capa. Dentro, páginas e páginas de Jeannette, que teria entrado para a minha lista de melhores do ano, se o Bruno Dumont tivesse estreado, e melhor ainda, na abertura do Dossier Critique, Port Authority, do qual gostei muito, e pensava que fosse o único, mas Cahiers também coloca nas nuvens. Rodrigo Teixeira não me perdoa haver esculhambado com O Farol no blog, mas eu estou lá ligando pra isso? Coloquei Ad Astra entre meus melhores do ano no jornal, pretendo colocar Port Authority em destaque, e só quero ver se ele vai me deixar entrevistar a diretora Danielle Lessovitz. Não terminei ainda. Falei em duas edições de Cahiers e a de outubro traz Jean-Luc Godard na capa. Le Livre d’Image. Nos Films du Moi, Matthieu e Maxime, com altos elogios e entrevista reveladora de Xavier Dolan. Ainda vou descobrir por que esse moleque tão talentoso provoca o ódio das coleguinhas (mulheres, sobretudo). Só repercutindo todos esses temas e assuntos já terei posts a perder de vista.