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Bá, guria! (Sobre A Dona da História, e Luana Martau)

Luiz Carlos Merten

02 Setembro 2018 | 11h20

Quando começou A Dona da História, ontem à noite, no Teatro Opus, pensei comigo – fodeu! Microfone! Em geral, perco o interesse na hora. Pelo menos isso aprendi com Gabriel Villela e Francesca Della Monica – ator tem de saber projetar a voz, decorar o texto. Ponto? Nem … Ainda fiquei uns segundos (minutinhos?) pensando… Onde estão os microfones? O de Angela Dippe na testa, o da Luana Martau no lado esquerdo do rosto. Mas aí algo já se havia passado. Aquele texto, do João Falcão, é tão bom… E só pode ser dito daquele jeito naturalista, sem empostação. Taco no taco. Uma fala, a outra repete ou interrompe. Duas atrizes, a mesma mulher, Aos 15 e aos 50. Uma com a vida diante dela, a outra já vivida – mas querendo recomeçar. Uma garota que quer ter uma história para contar. Uma garota que, aos 15, não gostando daquilo que se tornou aos 50, resolve mudar a própria história. Uma mulher, dois momentos de vida, duas batidas na porta. Abrir uma inviabiliza a outra, ou não? No final, esperei para falar com Kika Freire, que dirigiu Pulsões, de Dib Carneiro Neto, e agora dirige a movimentação das atrizes. João Falcão… Devo ser um cara muito estranho, mas quem não é? É uma comédia, e deliciosa, mas eu chorei pra burro. Não havia clima, numa estreia, para puxar o João e perguntar sobre Bergman, Alain Resnais. Vi o filme, A Dona da História, vi a montagem com Marieta Severo e Andrea Beltrão. Ontem, achei o texto mais enxuto, melhor. João confirmou que, sim, enxugou um pouco. Passado, presente, futuro – e imaginação? Resnais! Persona, o jogo de máscaras, Quando Duas Mulheres Pecam, Bergman! E o texto é muito menos leve, muito mais profundo que parece. As expectativas em relação ao amor, ao casamento, à vida. O que será de nozes? Coisas que Angela e Luana dizem e que a plateia morre de rir. São ridículas, sinceras? Ouvi algumas daquelas coisas, na vida, e não faz muito tempo. Ridículas, sinceras? Não importa. Vi ontem A Dona da História como se fosse a primeira vez. Teatro, metalinguagem? A alteridade entre palco e plateia. E Luana. Gaúcha, de Porto Alegre. Bá, guria, tu ‘é’ boa demais!