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Ave!

Luiz Carlos Merten

04 de fevereiro de 2014 | 17h07

Cá estou. Em Guarulhos. Embarcando para Berlim, via Paris. Vou diretamente, fico alguns dias na França, na volta. Pela manhã, queria ter revisto 12 Anos de Escravidão, mas tinha um exame que demorou muito. Perdi. Vou fazer um post rapidinho, só para dizer que, às vezes, me sinto esquizofrênico, tentando conciliar meu gosto pelo cinema de processo, à Tiradentes, com os blobckbustrer que amo (e são muitos, mas não todos). Em Tiradentes, vendo aquela gente. críticos e autores, dizer que é impossível conciliar criatividade e mercado, fico me sentindo culpado, porque, na contracorrente deles, acho que é, embora seja mais difícil do que fazer um filme de patotinha. O que quero dizer é o seguinte. Não li a reportagem de Veja, bastou-me a capa. Presumo que a matéria seja de Isabela Boscov. José Padilha dobrou a máqjuina (de Hollywood) e fez do seu RoboCop um filme brasileiro. Nada me deixa mais feliz. O holandês Paul Verhoeven fez a mesma coisa – usou a máquina de Hollywood para dar vazão a suas fantasias e obsessões no primeiro RoboCop, que é bem bom, mas espero que o de Padilha seja melhor, porque admiro o cara e isso viria de encontro à minha crença mais íntima de que é possível, sim, fazer cinema autoral nas condições mais adversas – e tanto pode ser a falta de dinheiro como o excesso, com muita gente querendo palpitar. Padilha é f… Um guerreiro, mas racional, gélido, dobrando tudo e todos ao seu desejo, à sua determinação de representar o mundo e construir uma crítica. A questão de segurança, essencial nop dois Tropas, está no centro de RoboCop. E eu vou ter de esperar até 23, ou 24, quando estarei de volta, para ver o filme. Nem sempre concordo com Isabela, mas espero que, nesse caso, estejamos de acordo. Ave, Padilha!

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