As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Aurora, mais uma vez!

Luiz Carlos Merten

23 Janeiro 2017 | 23h20

TIRADENTES – Cá estou, para mais uma Mostra Aurora. A Mostra de Tiradentes comemora 20 anos em 2017. Começou na sexta, 20, com as homenagens a Helena Ignez e Leandra Leal. As duas receberam o troféu Barroco, que contempla artistas que contribuíram para a arte – e a invenção – do cinema brasileiro. Grande Helena. Fiz com ela uma matéria no Caderno 2. Dona Helena e seus dois maridos. E que maridos! Helena foi casada com Glauber Rocha e Rogério Sganzerla, o guru do Cinema Novo e o do udigrudi. Helena era muito jovem quando se casou com Glauber. Já sabia mais das coisas ao se unir, como mulher e musa, a Sganzerla. Ouso dizer que foi o amor de sua vida. O jeito que ela fala até hoje de Rogério… Nesta segunda, houve um encontro de Helena com Ney Matogrosso. Ela disse que faz cinema como um ato de amor. Para reinventar o amor. E se esse é o assunto, quem melhor que Ney? Helena devolveu-o a sua grande paixão. Ney queria ser ator. A vida direcionou-o para a música. Quando Helena, sua amiga, lhe fez o convite para Luz nas Trevas, ele aceitou de cara, mas depois tremeu. Um remake do filme icônico? Não era… Tenho o maior carinho por Helena, e pela filha Djin (Sganzerla). Djin ainda era muito crua quando começou. Não era boa. Ficou ótima. E Helena… Ela faz parte do meu imaginário como atriz. Delicada em O Padre e a Moça. Piranha em O Assalto ao Trem Pagador. e Em O Bandido da Luz Vermelha. Janete Jane. Quem podia prever que a atriz viraria grande diretora? A 20.ª Mostra de Tiradentes celebra o feminino. A Mostra Aurora começou hoje com Baronesa, de Juliana Antunes. Não senti muita firmeza nos coleguinhas após a sessão. Teve gente que saiu no meio… Eu tive um choque comparável ao que me produziu A Vizinhança do Tigre. Grande Affonso Uchoa. É um dos montadores de Baronesa. O Tigre dava voz aos garotos da periferia. Era um filme devorado por uma perda irreparável. Baronesa dá voz às Mulheres. E também é consumido por uma perda. Belíssima Juliana Antunes, que eu nem sei quem é, mas já estou amando. Seu filme começa de um jeito… Um bumbum de mulher, um funk. Mas a mulher não é objeto em Baronesa. É guerreira. Logo de cara, uma das protagonistas conversa com seu homem. Quando começaram a ficar, ela estava grávida. Sete meses. Ele diz que completou seu filho. É uma conversa nonsense, mas de puro afeto. Mais adiante, a ‘tia’ surta com o menino que abusou do irmão. Como? É preciso se respeitar. É o tema de Baronesa. as mulheres, essas mulheres, sabem o que querem do mundo, de seus homens. A vida é injusta. Não vamos piorá-la. É um filme de muita conversa e de es´paços precários. A casa em construção, a favela em guerra. Há uma carta, como no Tigre. Escrita para alguém, na cadeia. Mano, a gente já foi inocente. A vida nos separou, nos fez trilhar outros rumos. Tão bonito, Baronesa. Documentário? Ficção? Nas bordas – um filme visceral. Foi um começo e tanto para a Aurora de 2017.