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Até tu, Brutus?

Luiz Carlos Merten

19 de abril de 2008 | 10h21

Éramos poucos, ontem, na Fnac de Pinheiros, para o encontro que celebrou os 90 anos da empresa United Artists. Na hora foi que me informei sobre a proposta do debate. Rubens Ewald Filho organizou uma exposição de fotos e cartazes com algumas das obras famosas do esúdio. Lá estão registrados os backstages de ‘Doze Homens e Uma Sentença’, ‘No Calor da Noite’, ‘Último Tango em Paris’ e ‘Annie Hall’ (Noivo Neurótico, Noiva Nervosa), o que para mim foi uma novidade, pois Woody Allen não autoriza, em geral, a divulgação de fotos dos seus sets. Aquelas saíram do baú. Mas havia mais – a exposição e o debate sobre o estúdio, fundado por Chaplin, Douglas Fairbanks, Mary Pickford e David W. Griffith para assegurar independência artística, financeira e distribuição para seus projetos autorais (e por isso a United foi diferente em Hollywood) – coincide com o lançamento de um álbum que inclui acho que dez DVDs de filmes importantes da marca UA. Para celebrar nosso, encontro, foi sorteado um desses álbuns. Ganhou – adivinhem – o Felipe Brida, que postou aqui no outro dia seu comentário chamando para o evento da Fnac. Vocês podem até achar que foi coisa arranjada, mas não foi. Eu sorteei o último nome, com a sorte grande, e veio o do Felipe. Sorry, mas vocês perderam. Confesso que tive alguns choques, como a revelação, feita pelo Rubens, com base na autobiografia de Maureen O’Hara, de que John Ford era gay. Tão brincando? Maureen conta, foi o que me disseram, que um dia encontrou o Homero de Hollywood no maior amasso, beijando um homem na boca, e se ela revelava o fato era para explicar a complexa personalidade de Ford (e o seu relacionamento de amor e ódio com John Wayne). Ainda não me recuperei direito e acho que vou apagar da lembrança o que ouvi ontem. Não creio que tenha de repensar toda a obra de Ford, mas que foi uma surpresa, foi. Cukor, Murnau, Visconti tudo bem. Já eram casos contados. Mas Ford? Até tu, Brutus?

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