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As novas da Imovision

Luiz Carlos Merten

15 de junho de 2016 | 09h50

Havia gostado muito de O Capital Humano, de Paolo Virzi, já com Valeria Bruni Tedeschi, e creio – vou precisar rever – que gostei mais ainda do novo Paolo Virzi, La Pazza Gioia, que vi em Cannes, na Quinzena dos Realizadores. Valeria, de novo, e Micaela Ramazotti são internas numa clínica psiquiátrica. Uma tem energia demais, vive num frenesi, inclusive sexual, que parece que vai consumi-la. A outra sofre de algum padecimento interior que a paralisa. A diferença as une. Fogem e, com a alegria louca, selvagem, do título, caem na estrada como Thelma & Louise. É muito bom. La Pazza Gioia, e é o motivo do post, foi comprado pela Imovision para distribuição no Brasil. Pela primeira vez, Jean-Thomas Bernardini não tinha quase nada na seleção de Cannes, mas comprou, durante o festival, não apenas o filme de Paolo Virzi como também o vencedor da Palma de Ouro. Sim – I, Daniel Blake é da Imovision. Não sei se Jean-Thomas vai guardar esses filmes para a Mostra ou o Festival do Rio, mas vocês já podem ir anotando. O Virzi é maravilhoso, como era, também, O Capital Humano. Dois filmes críticos sobre o sistema econômico e social em que vivemos, sobre o sucateamento humano promovido pela terceirização – e que também é o tema de Ken Loach. I, Daniel Blake não era o filme que eu gostaria de ver receber a Palma de Ouro. Foi uma surpresa – de verdade -, mas não sou dos que subestimam Ken Loach. Ninguém faz um, filme de Ken Loach melhor que o próprio e eu, pelo menos, gosto daquela energia que ele sabe tirar de seus atores, construindo cenas como se fossem psicodramas (desde Vida em Família, há mais de 40 anos), e fazendo questão de se definir como um anacronismo, um diretor de ‘esquerda’, num, mundo cada vez mais de direita. I, Daniel Blake é bom – agora, quão bom o filme consegue ser só saberei na revisão, porque um grande festival como Cannes nos leva à polarização, radicalizando as apostas. Mesmo não gostando de Toni Erdmann, o concorrente alemão que era o favorito da maioria da crítica, sinto que também preciso ver o filme de Maren Ade fora daquele contexto. Minhas escolhas iam para o Jim Jarmusch, Paterson, ou o Kleber Mendonça Filho, Aquarius, ou ainda o Paul Verhoeven, Elle. Gostei muito do Asghar Fahadi de The Salesman, que venceu melhor roteiro e ator, e o Hashab Hosseini é excepcional no papel. Se não vierem todos para o ‘mercado’, todos esses filmes virão, com certeza, para a Mostra e para o Rio. Vão animar polêmicas. Loach merecia a Palma de Ouro – sua segunda? Vamos reformular a questão. Você, que é cinéfilo – e crítico sobre o estado das coisas, senão não frequentaria o blog -, merece o Loach e o Virzi. Já pode ir agradecendo ao Jean-Thomas.

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