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As lições na festa do cinema italiano

Luiz Carlos Merten

05 Agosto 2018 | 22h26

Vou dar um tempo no teatro e voltar a falar de cinema. A 8 1/2 Festa do Cinema Italiano. De início, só uma observação – La Tenerezza, A Ternura, de Gianni Amélio, teve suas primeiras exibições na Festa exatamente nos mesmos dias em que passava na TV paga, no Cinemax. Vi ontem Pobres mas Ricos, de Fausto Brizzi, e confesso que me diverti. Hoje, domingo, assisti a Emma, de Silvio Soldini, e depois a Made in Italy, de Luciano Ligabue. Não pude deixar de pensar em Dib Carneiro, que faz um curso de roteiro. Pobres mas Ricos começa com um narrador, que depois desaparece para voltar no desfecho – dando novo rumo à narrativa. Emma também possui esses desvios de rota no roteiro. A linearidade sofre sobressaltos, nada de causa e efeito. Acho muito interessante tudo isso. Em toda parte, no teatro, no cinema, autores confiam no publico e propõem coisas diferentes. Os críticos é que muitas vezes não parecem dispostos a entrar nessas viagens. O que escreveram no Guia de cotações da Folha sobre Hannah é de cortar os pulsos – ‘Filme entediante sobre o tédio’, ‘Nem Charlotte Rampling salva tanto vazio’… Mesmo que exponha o ponto de vista da mulher, o filme de Ligabue me lembrou, por momentos, John Cassavetes. A camaradagem masculina. Numa Itália em crise – desemprego, etc -, como manter a autoestima? E quando ela envolve a traição? Quando sua mulher revela que foi para a cama com seu melhor amigo? Stefano Accorsi vive todos esses conflitos. Puta ator. O cinema é uma coisa maravilhosa. Recoloca as coisas, a gente, em perspectiva. O que é importante, e o que não é. Ainda quero ver pelo menos dois filmes da Festa – Aqui em Casa Tudo Bem e A Garota na Névoa. Como no Festival Varilux, todos esses filmes têm distribuição garantida no Brasil e, em breve, estarão estreando comercialmente. Vou poder voltar a cada um.