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Artorius

Luiz Carlos Merten

23 de setembro de 2012 | 21h14

Fui ver hoje o Kazuyoshi Kumakiri, ‘A Mulher Volátil’. Interessante, mas nada que tenha valido realmente a pena. De qualquer maneira, recomendo o Fliefaug que ganhou o Urso de Prata em Berlim, ‘Apenas o Vento’. E ponho a cara a bater ao dizer que revi, na TV, o que faço sempre com prazer, o ‘Rei Arthur’ de Jerry Bruckheimer. O filme pode não ser o único fracasso do Midas da série ‘Piratas do Caribe’, mas ficou muito abaixo das expectativas de rendimento na bilheteria. Pois eu gosto muito do filme de Antoine Fucqua, que reinterpreta a lenda de Arthur e o apresenta como um tribuno romano – Artorius – que se rebela contra o poder de Roma e reúne um grupo que luta pela liberdade na Bretanha, associando-se aos druidas e aos celtas contra os saxãos. Entrevistei o diretor Fucqua em Los Angeles e ele contou que pretendia filmar a cena da batalha no gelo como um western, mas felizmente encontrou Roman Polanski, que lsugeriu. ‘Batalha, gelo, você tem de ver ‘Alexandre Nevski’ antes de filmar.’ Fucqua emulou direitinho seu Eisenstein e o filme cresce a partir daí. Um épico sobre o heroísmo, em que Arthur é menos um super-homem que o sujeito capaz de arregimentar forças, e pessoas, num projeto coletivo. As cenas da batalha final, em que Keira Knightley pinta a cara para comandar os bárbaros que cerram fileiras com Artorius/Clive Owen, são de chorar. Atingido por Stellan Skarsgaard, Mads Mikkelsen morre. Ele toma ferido, olha para cima e lá no alto voa o falcão que ele libertou – e que é um símbolo da sua liberdade. Não sei se sou o único a me emocionar com aquilo, mas de todos os filmes inspirados no ciclo arthuriano, incluindo ‘Os Cavaleiros da Távola Redonda’, de Richard Thorpe, anos 1950; ‘Camelot’, de Joshua Logan, anos 60; e ‘Excalibur’, de John Boorman, nos 70 (ou 80), ‘Rei Arthur’, o menos fiel à legenda da saga oficial, é o melhor. E o Clive Owen é muito bom. Um cara que veste a armadura daquele jeito e, numa ambientação contemporânea, faz o loser vitorioso no sexo de ‘Closer’, Perto Demais, só pode ser bom ator. E a Keira… Estou nos cascos para ver sua Ana Karenina, ainda mais que o diretor é Joe Wright, que deve ter levado seus prodigiosos planos-sequência para a recriação de Tokstoi.

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