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Arriba, España!

Luiz Carlos Merten

07 de novembro de 2020 | 11h24

Começou na sexta, 6 – ontem -, na plataforma do Belas Artes (a La Carte) uma mostra de clássicos do cinrma espanhol. É a primeira parte de uma programação especial que prosseguirá no mês que vem, com apoio da Embaixada da Espsanha no Brasil. A Mostra Grandes Mestres do Cinema Espanhol será seguida pela Mostra Grandes Artistas do Cinema Espanhol. Confesso que não sei se entendi direito o conceito – os grandes mestres não seriam grandes artistas, os grandes aristas não são mestres? -, mas, enfim, esse primeiro round da programação está bárbaro, com filmes que fizeram história nos sanos 1950, como O Verdugo, de Luís García Berlanga, e A Morte de Um Ciclista, de Juan Antonio Bardem, mais obras de Luís Buñuel (Viridiana e Tristana), Victor Erice (O Espírito da Colmeia e El Sur), Carlos Saura (Cria Cuervos) e o talvez menos conhecido Mario Camus (Os Santos Inocentes). Sei que posso parecer exagerado, mas, assim como creio que Rebelião, de Masaki Kobayashi, de 1967,é o maior de todos os filmes japoneses – apesar de minha admiração por Yasujiro Ozu, Kenji Mizoguchi e Akira Kurosawa, o de Yojimbo, mais que todos -, também creio firmemennte que não existe filme espanhol maior que El Espiritu de La Colmena, e olhem que eu amo o Almodóvar. Ana Torrent, com seus grandes olhos tristes, era menina em 1973. Lembro-me da emoção que tive ao ver o filme na estreia, em Buenos Aires. Estávamos, Doris e eu, viajando pela Argentina. As duas irmãs. Ana vê o clássico Frankenstein, de James Whale, dos anos 1930, e identifica o ser monstruoso, formado com restos de cadáveres, no soldado ferido que se esconde nos fundos do quintal da casa. A Guerra Civil que dividiu a Espanha e, na tela do cinema, o amigável Frankenstein, querendo brincar com a menina, a atira no rio. O horror, o horror. Ana tem uma irmã que desaparece. O que o soldado tem a ver vom isso? O que poderá ocorrer com ela – Ana? Por mais que goste de Pedrito e Albert Serra, como Erice não há. O primeiro Festival de Cannes a gernte não esquece – 1992. El Sol del Membrillo. Nos fundos do quintal no estúdio do pintor António López García há uma árvore cheia de frutos. Marmelos. López García quer filmar o sol nos marmelos, mas o efeito da luz é efêmero nos frutos. O tempo passa e ele não consegue obter o que deseja. A luz cai. Mas o filme é só isso? Só? Mais exato seria dizer – tudo isso. Porque aquele embate do artista com a luz encerra toda a questão da arte. Os mestres espanhóis estão na plataforma do Belas Artes a La Carte. Ficarãso até 17. A segunda parte será em dezembro. Curioso, me veio agora um nome – Louis Wiznitzer, espero estar escreveno certo. Nos anos 1950 e começo dos 60, a Editora Globo, de Porto Alegre, era tão grande que editava uma revista, a Revista do Globo. Wiznitzer era correspondente internacional, tenho quase certeza que de Nova York, ou será wue era Paris? Os textos mais antigos que li sobre os filmes de Berlanga e Bardem foram dele. A luta de ambos contra a censura do regime franquista. Wiznitzer também falava sobre o sucesso dos filomes de Satyajit Ray – da Trilogia de Apu. Eu sonhava com esses filmes. Meu primeiro Ray – o indiano – foi Rabindranath Tagore, na Faculdasde de Arquitetura, em 1964. Wiznitser escrevia também sobre literatura. Albert Camus, Jean-Paul Sarte. Wiznitzer! Tenho de fazer uma pesquisa sobre ele.

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