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Ardente esperança

Luiz Carlos Merten

01 de janeiro de 2020 | 11h02

Meu primeiro post de 2020. Daqui a pouco tenho de procurar um cinema para ver Frozen 2. Depois que o primeiro virou o maior fenômeno de faturamento da história da Disney, lá vou eu conferir para fazer a crítica. O espaço em branco me espera no Caderno 2 de amanhã. O primeiro texto de uma nova série. Esse vai ser sobre o Godard, por que coloquei O Livro de Imagem entre os melhores do ano. Godard e a guerra, Godard e o mundo árabe, tão difamado. Seu filme, como muitos anteriores, é uma colagem, e em boa parte formada por excertos de outros filmes. Uma imagem descontextualizada representa o quê. Paras Godard, ressignificação. Ele trabalha sobre as imagens pré-existentes. Escreve, enumera, altera a cor, o som, que ora retira, ora agrega (diferente). Tudo isso compõe o que muita gente chama de arquivo como moral, e que ele utiliza para comentar o estado do mundo. Na entrevista na Cahiers de outubro, ele reproduz o que lhe diz Anne-Marie Miéville, quando brigam – “Vai fazer tuas pequena revolução lá fora, mas não toma muito café.”La petite révolution. Godard reflete sobre a violência humana e da natureza. Diante das imagens do casal clássico de Terra, de Dovjenko, para mim o mais belo poema revolucionário do cinema, diz com voz cavernosa, do homem,’Se estivéssemos vivos’, e da mulher, ‘Mas estamos vivos!’ E sinto que foi por isso que, sem hesitação, Godard, Jean-Luc, entrou na lista. Desde Acossado, há 60 anos, e já antes, por meio de seus curtas, Godard sempre foi sinônino de investigação de linguagem e política. DE autoria – autoralidade. E agora ele divide Palavra e Imagem, como o filme se chama no Brasil,. em capítulos e o último chama-se Ardent Espoir. Essa esperança ardente é o que desejo para mim, para nós, no ano que se inicia.

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