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Apesar de tudo, e dos ‘filtros’, vida que segue

Luiz Carlos Merten

14 de setembro de 2019 | 10h38

RIO – Cá estou, desde ontem. Havia resolvido viajar no meu aniversário, mas aí houve o debate com Inácio Araújo, sobre o Michelangelo Antonioni, Profissão – Repórter. Na saída, fomos, um pequeno grupo, jantar no Mestiço. Cheguei em casa quase 3, tinha de levantar às 6. Na noite anterior, não dormira nada. A perspectiva de, pela primeira vez em quase 30 anos, não festejar mexeu comigo muito mais do que seria tentado a admitir. Passei a noite acordado, pensando na vida, lendo. Ontem, cheguei ao Rio no fim da manhã. Vim para o hotel, em Botafogo. Almocei, fui à sucursal, fiz as matérias do dia. No domingo, no Telecine Cult, haverá uma programação especial dedicada a Luis Buñuel. Não, não é nenhuma data redonda, nascimento ou morte, mas o canal deve apresentar quatro filmes em sequência – A Morte no Jardim, A Via Láctea, Tristana – Uma Paixão Mórbida e O O Fantasma da Liberdade. Quatro ‘Buñueis’, e cada um com sua atração, sua ‘estrela’, especial. Simone Signoret, Delphine Seyrig, Catherine Deneuve, Monica Vitti. Na sucursal, enquanto trabalhava, acompanhava a tragédia do hospital que incendiou. Todas aquelas mortes… Nove da noite estava jantando no Lamas, às 10, no hotel. Dormi logo, na sequência, estava precisando. Vim ao Rio para dormir, he-he. Tomei café da manhã e dei uma olhada no Globo. Na despedida de Raquel Dodge, o ministro Celso de Mello aproveitou para enviar um recado ao presidente. Ao contrário do que ele vive dizendo, não ‘manda’. Seu poder tem limites constitucionais. Se o Supremo, há três anos, não tivesse sido intimidado, como foi, esse País hoje talvez fosse outro. As notícias do dia. Guedes e as reformas. Não, economia, não. Ainda haveremos de ser um Chile. O luxo sem limites do shopping Costanera, com o edifício anexo que quase toca nas nuvens, e a miséria acachapante do centro de Santiago, onde vi, em janeiro, pessoas revirando o lixo, idosos principalmente, à cata de comida. As notícias de cultura. Um documentário sobre Chico Buarque foi retirado de um festival de cinema brasileiro no exterior, os Clowns de Shakespeare tiveram seu patrocínio cortado pela Caixa no Recife, o Festival do Rio está seriamente ameaçado de não sair. Os ‘filtros’ do presidente estão funcionando, ora, se estão. Nesta manhã de sábado, estou mais descansado, relaxado. Vou ver se acho algum amigo para almoçar, depois procurar alguma roda de samba, à tarde, um filme ou peça de teatro, à noite. E sempre tem a paisagem. Apesar de tudo, TUDO!, até do céu coberto – Deus, se existe, deve estar envergonhado dos seus maus tratos com o povo brasileiro -, o Rio de Janeiro continua lindo.

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