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Antônio Sampaio Pitanga, seus 80 anos na Sala Cinemateca

Luiz Carlos Merten

01 de agosto de 2019 | 15h48

Não tenho tempo agora para me estender, mas está começando agora, aí em São Paulo, nas Cinemateca, uma programação em homenagem aos 80 anos de Antônio Pitanga. O pai de Camila Pitanga ainda era Antônio Sampaio quando se iniciou no teatro e cinema, em Salvador. Aparecem imagens dele no documentário de Sinai Sganzerla sobre sua mãe, Helena Ignez, A Mulher da Luz Própria. Não estou conseguindo localizar o e-mail da Cinemateca, nem tenho tempo de pesquisar na internet, mas nesses primeiros dias, acho que hoje, especificamente, a programação resgata obras do começo da carreira de Sampaio/Pitanga – Barravento, de Glauber; A Grande Feira, de Roberto Pires; Bahia de Todos os Santos, de Trigueirinha Neto. É, o último, o que mais gostaria de (re)ver. Quando vi esse filme, ainda nos anos 1960, estava muito impregnado pela leitura de Jorge Amado. As perseguições aos comunistas, os tempos heroicos do movimento sindical, nos 40. O filme, em preto e branco, tem um estilo que remete ao neo-realismo italiano, mas o sincretismo político e religioso é baiano. Conta a história de Tônio, Jurandir Pimentel, que foi abandonado pelo pai branco e cuja mãe negra está morrendo. Criado pela avó que tem um terreiro de candomblé, Tônio tem amigos malandros, Geraldo Del Rey e Antônio Sampaio. Esse último chama-se Pitanga, e o ator adotou o nome. Tem um irmão estivador que participa do movimento sindical e vai preso numa greve. Para ajudá-lo, Tônio rouba dinheiro da amante gringa, Miss Collins, interpretada por uma estrela paulista da época, Lola Brah, e ela o denuncia à polícia. Até onde me lembro, Bahia de Todos os Santos passa uma sensação muito forte de verdade na descrição dos personagens e seus ambientes. E, depois, sempre fui fascinado pela figura para mim misteriosa de seu diretor e roteirista. Trigueirinho Neto possui uma ficha alentada nos implacáveis arquivos do Estadão, mas é muito mais porque se tornou guru (e escritor), identificado apenas como Trigueirinho. Fui pesquisar sobre o místico na rede e encontrei muita coisa, mas nada que o ligue, na origem, ao cinema. Serão os dois o mesmo personagem? Entrevistei esta semana Edgar Navarro, por conta da estreia de Abaixo a Gravidade, e esqueci-me de elucidar a questão. Preciso voltar ao Navarro. E vocês, por favor, vejam o filme dele.

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