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Anselmo, Massaini, O Pagador de Promessas, pontos nos is

Luiz Carlos Merten

18 de julho de 2020 | 14h39

Mais uma cirurgia, menos uma cirurgia. Acrescentei meu post anterior prometendo voltar depois da intervenção que fiz na manhã de sexta. Estou cumprindo minha promessa. A sonda sempre incomoda, mas não me impediu de sentar aqui para escrever. Estranho voltar ao hospital em fase de pandemia, com todos esses protocolos de segurança. Lúcia me acompanha. Tivemos de fazer os dois o teste da Covid, e deu negativo. Preciso dar conta de que recebi, em casa, nestra semana, um telefonema de Aníbal Massaini Neto, esclarecendo pontos importantes nos meus textos sobre O Pagador de Promessas nos Clássicos do Dia e no necrológio de Leonardo Villar, que fazia Zé do Burro na adaptação da peça de Dias Gomes por Anselmo Duarte. Anselmo era mitômano, e um grande mentiroso. Nisso se equiparava a Federico Fellini, que criou para si mesmo, na arte e na vida, uma biografia idealizada. Eu que o diga. Convivi com Anselmo por alguns dias, visitando-o em Salto, nos fins de semana. As longas entrevistas – nos sábados e domingos – eram animadas, divertidas, mas Anselmo se contradizia o tempo todo. Sofri um processo de plágio pelo livro da Coleção Aplauso, uma coisa para mim bizarra, porque o meu lugar de fala no volume é a apresentação crítica que faço do autor – e ela é bem crítica, num livro laudatório – e o restante é o próprio Anselmo, contando sua história. Tinha algumas fitas gravadas, mas estavam misturadas com as da entrevista que fiz com Carlos Coimbra, para outro livro da coleção. O bizarro, para mim, foi que a acusação de plágio foi feita muito anos depois, e após a morte do Anselmo, quando ele não poderia mais esclarecer a questão. Ofereci-me para fazer o teste de detecção de mentiras, mas o juiz não aceitou, nem que eu prestasse esclçarecimento, porque poderia estar criando provas contra mim. É mole, não pude me defender pessoalmente porque poderia estar me incriminando! Achei tudo isso muito surreal, mas não cheguei a me surpreender poque parte desse processo ocorreu durante a Lava-Jato, e eu estava vendo todo dia como a Justiça pode ser tendenciosa, né Doutor Moro? Enfim, onde quero chegar é a isso- citei errado o nome do pai do Aníbal, que produziu O Pagador. Era Oswaldo, o Aníbal original era o avô. Aí foi erro meu, mas, no livro, Anselmo diz que o produtor não botou dinheiro (e o Aníbal diz que Oswaldo colocou, sim, até porque possuía os direitos da peça.) O grande esclarecimento do Aníbal é que seu pai nunca quis Mazzaropi no papel. Ele comprou a peça que tinha visto com Leonardo Villar, e o queria como Zé do Burro. Por que Anselmo mentiu no livro? Para valorizar ainda mais seu esforço? Para mostrar como o mundo conspirava contra ele, grande solitário na realização do único filme brasileiro vencedor da Palma de Ouro? Depois de conversar com o Aníbal fiquei pensando que ele poderia ter sido arrolado como minha testemunha. Poderia ajudar a entender porque Anselmo repetiu para mim coisas que estão exatamente iguais no outro livro.