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Amigos e chimangos

Luiz Carlos Merten

23 de dezembro de 2013 | 15h01

Passei momentos muito agradáveis na noite de sexta-feira. Margarida Oliveira, da Pró-Cultura, tem o hábito de organizar jantares de fim de ano. Sei que este ano fez dois e dividiu as pessoas, não sei com que critério. Estávamos – Inácio Araújo e a mulher, Ana Paula Souza e o marido, Dib Carneiro e eu, Patrícia Durães, Miguel Barbieri, a Margarida e a Flávia. Ademar Oliveira estava em BH, por um motivo que certamente vai fazer a festa dos cinéfilos mineiros. Estava negociando não sei se a compra ou a administração do Belas Artes de lá. Aleluia! Por falar em, Belas Artes, ontem passei pelo daqui. Não sou eu que devo ensinar o prefeito a governar a cidade, mas, como todo mundo, tenho minhas ideias. Ando arrependido de ter fugido do Festival do Rio no ano passado, pagando do meu bolso para vir aqui ajudar a eleger o prefeito. Pelo que está fazendo, ele que se elegesse sem meu voto. Sei que a fachada do Belas Artes foi tombada, e isso inclui o saguão, o que motivou uma quebra de braço. O dono não quis saber de renovar contrato para o cinema. Estava no seu direito, mas a prefeitura, imagino, deve ter instrumentos para obrigá-lo a tomar providência, ou agir ela própria num caso gravíssimo – a frente do Belas Artes é um dos lugares mais podres do mundo, não digo da cidade. Tinha até merda de gente ali na frente, e a multidão se atropelava rumo à Paulista e ao Jingle Bells, no domingo à noite. Belo cart~]azo de visitas da cidade que se proclama a maior do Brasil, da América Latina. Como é que se chama o cara da Fiesp que quer ser governador?  Ele bem podia ter um plano alternativo para tirar a merda do Belas Artes, mas, claro, não é sua função e não sei se vai render dividendos, embora, por via das dúvidas, a frente do prédio da Federação esteja bem limpinha (e duvido que algum sem-teto seja doido de se arranchar ali). Enfim – antes de me irritar, ontem, minha sexta foi feliz. Ao contrário dos ridículos que abundam na crítica – a escolha das palavras está sendo rigorosa -, Inácio, a despeito de nossas divergências estéticas (eventuais), é um cara com quem adoro conversar. Existe respeito, mesmo na divergência, o que é o de menos (a divergência, digo, não o respeito).  Disse que não tinha visto Além da Fronteira, e Inácio me exortou a ver o filme israelense. Falei que tinha minhas dúvidas sobre A Grande Beleza e o Miguel me incentivou a rever o Paolo Sorrentino. A propósito, o Caderno 2 publica hoje uma página sobre A Grande Beleza, incluindo a entrevista que fiz com o diretor e a crítica do Zanin. Devíamos ter feito Gostei/Não gostei. Apesar da beleza deslumbrante de muitas cenas, o filme é abominável, ou quase. O pior Sorrentino, pior que aquele do Sean Penn, mas com o melhor ator do ano. Toni Servillo é gênio, como Cate Blanchett, a melhor atriz, pelo Woody Allen,  Blue Jasmine. Mas, como diria Celso Sabadin – minha colega Eliana Souza me relatou um diálogo dele com outro sujeito sobre a minha pessoa na internet -, sou do contra e, por isso, meus melhores atores do ano (são ‘meus’, afinal) são o Henry ‘Homem de Aço’ Cavill e a Charlotte ‘Eu, Anna’ Gainsbourg, Não – é a Rampling! Erro tanto, né? He-he. Cheguei a pensar em responder ao Sabadin, mas no Rio Grande temos um ditado – Não se perde pólvora com chimango. Falta falar do israelense. É bom. Começa como love story gay, vira thriller político à Costa-Gavras. O irmão palestino é o nêmesis perfeito do agente israelense. Que os dois, cada um com seu deus (minúsculo), apodreçam no inferno. Além da Fronteira não tem fim. Termina em aberto. Fiquei numa angústia do cão.

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