As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

‘Amanhecer 2’?

Luiz Carlos Merten

18 de novembro de 2012 | 13h36

O que vou dizer agora talvez surpreenda (decepcione?) muita gente. Já vi duas vezes ‘A Saga Crepúsculo – Amanhecer 2: Final’. Explico. Quando vi pela primeira vez, na quinta, a cópia era dublada. Achei o melhor da série e, assim como Taylor Lautner disse na entrevista, no Rio, que seria interessante, para ele, tentar ver a saga pelo ângulo de outro personagem – e o lobinho escolheria, vejam só, Bella -, eu não consigo deixar de me projetar no pai (e o ator que faz o papel é bom, transmite sofrimento de quem acha que está perdendo sua garota sem saber para quem, ou o quê). No sábado, fui rever porque estava no Shopping Frei Caneca, ia começar a versão com legendas e eu queria justamente ver o Billy Burke, que faz o pai, falando em inglês. Dizer que achei ‘Amanhecer 2’ o melhor da série talvez não signifique muito, mas se há coisa que não subestimo é o diretor e roteirista Bill Condon, de ‘Deuses e Monstros’ e ‘Kinsey’. Não sei se é uma coisa do livro (de Stephenie Meyer) ou se é dele, mas acho que o filme tem uma solução narrativa muito interessante, que inclusive muda o eixo e faz com que, no desfecho, Edward e Bella virem coadjuvantes da própria história, em função de outros dois personagens – Jakob, que já teve o imprinting do futuro do bebê do casal, e Alice, a vidente do grupo de vampiros, que desempenha um papel decisivo na épica batalha contra os Volturis, e não vou dizer mais para não tirar a graça do desfecho. O curioso, e isso é Luiz Carlos Merten, que emendei ‘Amanhecer 2’ com um cult de André Luiz Oliveira, ‘Meteorango Kid’. Ao descobrir que o filme, um marco do cinema chamado de ‘marginal’, passava na Galeria Olido, não resisti e ainda emendei com a abertura de ‘O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro’, de Glauber, que passava a seguir, porque adoro aquela cantoria na apresentação do bando de Coirana. O curioso é que, cada um à sua maneira, todos esses filmes revertem/subvertem expectativas do público, do mais tradicional (no filme de Condon) ao mais experimental (o de Oliveira). Glauber, neste caso, fica no meio, já que ele próprio assumia sua aventura de Antônio das Mortes como um western. Gosto dessas misturebas, ver filmes que aparentemente não têm nada ver (e não apenas aparentemente), para tentar tirar dessas experiências múltiplas alguma coisa, que estará no meu olhar.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.