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Alvim manifesta-se (e você ainda tem tempo de ver Histórias Extraordinárias)

Luiz Carlos Merten

27 Setembro 2018 | 08h49

Dib Carneiro me encaminha a resposta de Roberto Alvim a minhas repetidas referências ao boicote da categoria artística ao grande diretor, por seu apoio a Jair Bolsonaro. Ainda há tempo para ver Histórias Extraordinárias, no CCBB, e eu recomendo especialmente as encenações de Alvim para Frankenstein, A Guerra dos Mundos e O Médico e o Monstro. Para quem me acompanha, considero absolutamente desnecessário enfatizar minha admiração irrestrita por Juliana Galdino. Como não gostei muito de Cacá Carvalho em Drácula – estou pensando em rever o monólogo -, sinto-me na obrigação, por se tratar de um ator respeitável, que tem uma história, de dizer que o amei no Robert Louis Stevenson (o texto da adaptação é do próprio Roberto Alvim). A seguir, a resposta do diretor – obrigado, Dib.

“Em sua crítica às minhas encenações em cartaz no CCBB – SP
o brilhante Luiz Carlos Merten (do ESTADÃO) se refere ao recente linchamento que tenho sofrido nas redes sociais
por conta de algumas postagens que fiz relativas ao candidato Jair Bolsonaro.

não respondi aos inúmeros insultos que diversas pessoas me dirigiram
– incluindo amigos próximos e tbm desconhecidos –
pq não me sentia, mesmo, na obrigação de me justificar
haja vista não ter cometido crime algum.

mas agora que um crítico que respeito muitíssimo
menciona o caso enfaticamente em seus textos
me vejo impelido a dizer algumas palavras acerca do ocorrido:

no dia em que Jair Bolsonaro recebeu a facada
eu estava no ensaio-geral de FRANKENSTEIN
e fiquei completamente chocado.
o atentado contra a vida de um homem
motivado por divergências ideológicas
é algo intolerável para mim.
NADA justifica o assassinato de um ser humano
seja ele quem for.
postei vídeos e textos em SOLIDARIEDADE à vítima
como faria com QUALQUER OUTRA PESSOA que,
no contexto de uma disputa democrática,
sofresse uma violência visando a eliminação de sua voz.
repito:
SE tivesse ocorrido o mesmo com qualquer dos outros candidatos da atual disputa política
minha repugnância com o ato covarde e minha solidariedade irrestrita com a vítima seriam idênticas.

não se pode calar NINGUÉM à força.
a frase de Voltaire é um princípio irrevogável:
“não concordo com o que vc diz,
mas lutarei até a morte por seu direito de dizê-lo.”
ou defendemos a liberdade de pensamento e de expressão
assim como aprendemos REALMENTE a conviver com as diferenças
ou abrimos a prerrogativa para um brutal totalitarismo
(seja ele de esquerda ou de direita…).

concluindo:
não declarei meu voto em nenhum candidato –
apenas reagi humanitariamente a uma violência execrável contra um homem,
violência esta que foi celebrada (e virou motivo de piadas)
por muitos, muitos de meus amigos desta rede social,
para minha imensa tristeza…

nenhuma narrativa
pode amparar
um assassinato.
e se bati frontalmente na esquerda em algumas postagens
foi por conta do fato histórico de que uma série de importantes pensadores de esquerda (assim como lideranças atuais)
bradaram (e bradam) que a violência é uma forma de ação válida e mesmo necessária na luta política.

isso eu nunca irei admitir
como tbm não admito censura, coação, linchamentos e ameaças
a quem quer que pense
o que quer que seja.

bjs a todos! ROBERTO ALVIM”