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Almodóvar – Esperame nel cielo corazón

Luiz Carlos Merten

22 Maio 2018 | 05h26

PARIS – Gosto muito de Tudo Sobre Minha Mãe, Fale com Ela, mas os meus filmes preferidos de Pedro Almodóvar são meio tortos. Os mais enfermos – La Piel Que Habito, La Piel Que Habito, La Piel Que Habito. A Filmothèque du Quartier Latin está apresentando uma integral de Pedro. Versões numéricas e restauradas. Fui ver um de seus filmes antigos, pelo qual tenho uma fascinação sem limites. Matador, de 1986. Um toureiro para quem parar de matar seria morrer. Uma advogada que sente essa mesma pulsão e tem verdadeiro prazer em matar seus machos quando gozam dentro dela. E o aprendiz, filho da mãe repressora, que busca se afirmar no mundo hostil. Para o delegado, o professor de tauromaquia, para a própria mulher que ele estupra, o carinha é gay. O jovem Antonio Basnderas, um assombro, vai à delegacia denunciar um estupro. O tipo de piada que não pode mais – a escriturária, diante de toda aquela beleza, diz que algumas mulheres têm sorte. E o delegado, que duvida que ele seja estuprador, quer os detalhes – como (Banderass) fez para estuprar? Nacho Martínez, o toureiro, Assunta Serna, a advogada, verdadeira mulher aranha, Banderas. Almodóvar carrega no (homo)erotismo. Pan, para dizer a verdade, Planos de detalhes dos sexos duros dos aprendizes, durante as aulas de touradas. Aquels roupas justas que tudo revelam. E o sexo feminino, quando nosso toureiro vai para a grande estocada. Na triolha, Mina geme Esperame nel cielo corazón. Acho que vou ter de ver mais algum(ns) Almodóvar(es) desse ciclo, antes de voltar ao Brasil.