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Almodóvar…eando

Luiz Carlos Merten

12 de setembro de 2012 | 12h09

Que tal esta lista? ‘Aurora’, de Friedrich W. Murnau; ‘A Besta Humana’, de Jean Renoir; ‘Céline et Julie Vont en Bateau’, de Jacques Rivette; ‘Desejo Humano’, de Fritz Lang; ‘Imitação da Vida’, de Douglas Sirk; ‘Narciso Negro’, de Michael Powell e Emeric Pressburger; ‘Sabrina’, a de Billy Wilder; ‘Sonata de Outono’, de Ingmar Bergman; ‘Viagem na Itália’,. de Roberto Rossellini; ‘Ensayo de Un Crimen’, ou ‘La Vie Criminelle d’Archibald de la Cruz’, de Luis Buñuel; ‘A Tortura do Medo’, Peeping Tom, de Michael Powell – e ‘Rocco e Seus Irmãos’, de Luchino Visconti. Gostaram? Estava manuseando livros e revistas de cinema na minha casa quando caiu de dentro de uma delas o folheto de um ciclo na Filmoteca do Quartier Latin. A semana, a de 27 de maio a d 4 de junho – de 2009. Os filmes em questão eram e talvez continuem sendo os preferidos de Pedro Almodóvar, a menos que ele tenha acrescentado outros, posteriores, aos seus prazeres de cinéfilo. A semana Almodóvar foi uma homenagem ao diretor, pegando carona no lançamento de ‘Abraços Partidos’ e o folheto destaca uma frase de ‘Mala Educación’ – ‘Todos os filmes contam nossa história’ -, acrescida de outra de Fréderic Strauss em ‘Pedro Almodóvar – Amante de Cinema’. O crítico diz – ‘Almodóvar abraça o cinema sob todas as formas, e em todos os seus filmes. É como se dissesse, com todos os tons e letras, que ama o cinema apaixonadamente.’ Claro que me encanta constatar que Pedro, como eu, ama ‘Rocco’, mas esse amor ele já havia declarado pessoalmente numa entrevista, em Cannes, no jardim do Residéal, quando lhe disse que era o filme de minha vida. Não há um só filme dessa lista que me desagrade, embora o entusiasmo por alguns seja relativo. Não consigo entrar, com a intensidade de Almodóvar e Martin Scorsese, no cult a Michael Powell. Até tento, mas algo me trava no cinema dele, sozinho ou em parceria com Pressburger. Em compensação, amo o Fritz Lang, o Renoir, o Rivette, o Murnau e o Sirk. ‘Sonata’ não é o ‘meu’ Bergman, mas a cena em que Liv Ullman toca para a mãe e a grande pianista Ingrid Bergman lhe mostra como deveria ter tocado é de gênio. É um dos grandes, senão o maior filme sobre a mãe que não gosta dos filhos, embora Mary Tyler Moore, em ‘Gente Como a Gente’, de Robert Redford, seja a encarnação da frieza na sua rejeição a Timothy Hutton. ‘Archibaldo de la Cruz’ é, sim, um grande Buñuel, dos maiores na fase mexicana. ‘Viagem na Itália’ é um filme essencial de Rossellini, a pedra de toque do cinema moderno, por sua desdramatização do roteiro, mas, exceto pela cena do casal calcinado nas ruínas de Pompéia, não é um filme que eu levaria para uma ilha deserta. O ‘meu’ Rossellini é de Vittorio De Sica – ‘Il Generale della Rovere’, De Crápula a Herói. Tudo o que eu quero acreditar na humanidade, que mesmo no crápula pode haver um herói, está lá, e De Sica, em seu maior papel, é maravilhoso.

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