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Alla ricerca del tempo perduto

Luiz Carlos Merten

28 de abril de 2020 | 20h40

Mais clássicos – A Viagem do Capitão Tornado, Os Profissionais, Bye Bye Brasil. Cada um desses filmes, e os outros, vem carregado de lembranças. Verão Violento me trouxe à memória o italiano que aprendi – e falo até hoje – vendo filmes; a história italiana que também conheci através do cinema. O ano emblemático de 1943, a deposição de Benito Mussolini, Il Duce, pelo Conselho Superior do Fascismo, o governo provisório de Badoglio, que negociou o armistício com os aliados. Filmes como La Lunga Notte del 43, de Florestano Vancini, que venceu o prêmio da melhor primeira obra no Festival de Veneza de 1960; Il Carro Armato dell’Otto Settembre, de Gianni Puccini, que tem no batalhão de roteiristas nomes como Pier-Paolo Pasolini, Elio Petri, Tonino Guerra e Elio Bartolini. A Noite do Massacre – um triângulo que vai ganhando outra dimensão contra o fundo histórico. A mulher insatisfeita de um químico preso à cadeira de rodas e um desertor do Exército. O líder fascista que encena um atentado para se livrar de inimigos no partido do Duce e responsabiliza a resistência, ordenando, como represália, o massacre do título brasileiro. De novo Pasolini é um dos roteiristas, com Ennio De Concini e Giorgio Bassani, autor do romance original e também de O Jardim dos Finzi-Contini, que Vittorio De Sica adaptaria anos depois, ganhando o Oscar de melhor filme estrangeiro. Com Gabriele Ferzetti, Enrico Maria Salerno, Belinda Lee, Raffaella Carrà, Gino Cervi. A Derradeira Missão – durante o armistício, e em plena confusão que se estabelece na Itália, um cabo assume a missão de transportar um tanque abandonado no litoral até o QG. No caminho, encontra representantes de todos os segmentos sociais do país devastado. Mais uma vez Gabriele Ferzetti, agora com Elsa Matinelli, Dorian Gray, Jean-Marc Bory, Romulo Valli, Yvonne Fourneaux, Catherine Spaak e o futuro pistoleiro de spaghetti westerns, Anthony Steffen. Alla ricerca del tempo perduto. E riscoperto. Ferzetti foi ator de Michelangelo Antonioni (As Amigas e A Aventura) e também trabalhou com meio cinema italiano – Mario Soldati, Nanni Loy, Mauro Bolognini, Sergio Leone, Salvatore Samperi, Liliana Cavani, etc. Com Vancini, além de A Noite do Massacre, fez ainda Enquanto Durou o Nosso Amor, que até onde me lembro era um filme muito bonito. Le Stagioni dei Nostri Amori. Salerno como o jornalista de meia-dade, dividido entre a mulher e a amante, que volta a Mântua, onde passou a a infância e a juventude, sob o fascismo, e amou uma mulher que não consegue esquecer. Ecos de Ulisses, o de Homero, o encontro como a ninfa na praia. Anouk Aimée, Jacqueline Sassard, Valeria Valeri e, num pequeno papel, Gian-Maria Volontè. Anthony Steffen! O ítalo-brasileiro Antonio di Teffè, que foi Django e Sartana. Para permanecer no spaghetti western, Vancini incursionou pelo gênero – I Lunghi Giorni della Vendetta, ou Os Longos Dias da Vingança, com Giuliano Gemma. Uma coisa leva a outra, minhas viagens se prolongam muito mais do que permite esse post.

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