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Alemão, quem diria, pega em armas para falar de amor

Luiz Carlos Merten

10 de março de 2014 | 20h18

RIO – Cá estou no aeropoprto internacional Tom Jobemi, embarcando para Los Angeles, via Atlanta. Meu dias foi bastanjte corrido, incluindo a participação na rádio Estadão e as atividades da junket de Alemão. Confesso que ainda estou impactado com o filme de José Eduardo Belmonte. É um policial brasileiro pós-Tropa de Elite, sobre a ocupação do complexo do Alemão. O filme possui uma urgência documentária, mas é ficção, uma bela ficção centrada em cinco policiais que participaram da operação encobertos, ou infiltrados no tráfico. Descobertos, ficam com a vida por um fio, e brigam entre eles. O filme é um faroeste urbano, e Belmonte me contou que, garoto, via muito westerns com seu pai. O filme remete ao clássico Rio Bravo/Onde Começa o Inferno, de Howard Hawks, mas invertendo a situação daquele filme. Os policiais estão sitiados, e o tráfico lhes move implacável perseguição. Existem muitas maneiras de abordar Alemão, e a minha é a seguinte. O filme tem uma pegada social muito forte, é um hui clos poderoso, mas é, acima de tudo, um filme de amor. Cauã Reymond faz o traficante, Playboy. Grande Cauã. Ele diz que eu o sacaneio, tirando onda da sua imagem de sexy boy, mas o traficante dele é um desafio que Cauã encara com garra. Ele tem o grande amor que o abandonou, e agora as circuibnstâncias fazem com que essa mulher esteja confinasda com os policiais. Da mesma forma, Marcelo Jr. – vou ficar devendo o nome todo – também faz um policial apaixonado, pela irmã do lugar tenente de Playboy. Olhem que o filme tem um elenco muito bom, mas esse Marcelo, que só sei que é do Voz do Morro, me ganhou. O cara é bom demais. Com ele, com Cauã, Alemão vira um puta filme de amor, e tem até espaço para o amor entre pai e filho, os personagens de Antônio Fagundes e Caio Blat. Fagundes vive repetindo que a polícia não é lugar de heroísmo, mas são personagens intensos. O filme retrata homens, não a instituição. Belmonte me disse que fez o filme na guerrilha – 18 dias, baixo orçamento. É tão bem feito, com tiroteios e perseguições, que parece muito mais caro. O que importa é a câmera colada aos personagens, confinada com ele. Me lembrei daquele assalto à delegacia de John Carpenter, que aqui vira assalto à pizzaria. Vocês vão entender quando virem. Será o maior lançamento do Belmonte, 300 e tantas salas. Só espero que não digam que elwe vendeu a alma ao mercado. Belmonte disse que fez lição de casa. Reviu seus clássicos (Peckinpah, Kurosawa), planejou muito, mas, no limite, filmava dez páginmas de roteiro por dia, num ritrmo acelerado e alucinado. Cauã foi outro que fez lição de casa, para aprender a agir e falar como uintegrante do movimento. Ele ia fazer um dos policiais. Mudou, e foi ótimo. Ele é coprodutor. Para finalizar, que já estão chamando meu voo – se o filme corresponderr, vai haver Alemão 2 (tomara). E gente, com produção associada de Mário Canivello, ele vai fazer… Dom Pedro I, com direção de Laís Bodanzky. Mal posso esperar. É, para mim, o melhor dos 14 filmes de Rodrigo Teixeira. E é significativo que, no cinema de ação, ele tenha conseguido falar de sentimentos, fazendo o filme de amor que não logrou com autores de perfil mais intimista, se é que se pode dizer assim. Alemão estreia quinta. Fiquem de olho.

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