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Além da escuridão, ou da imaginação?

Luiz Carlos Merten

03 de junho de 2013 | 09h58

Havia combinado de jantar ontem, com meu amigo Dib Carneiro no Frei Caneca, para emendar com a pré-estreia de Além da Escuridão -m Star Trek. Estava louco para ver a fantasias científica de JJ Abrams, cujo trailer me seduziu, além de ser de um diretor a quem admiro bastante. O Dib não queria ver, nunca se interessou por Star Trek, botou na cabeça que não conseguiria acompanhar a história. O problema é que, pelo menos por hora, o Frei Caneca não é o melhor lugar para se combinar um jantar, ou almoço. O shopping todo está em (re)construção. Detesto quando vejo a plaquinha – ‘Desculpe o transtorno, estamos melhorando.’ O shopping não tem livraria, restaurante. Melhor se estivesse fechado até reabrir da tal reforma, que causa tanto desconforto, mas aí, claro, haveria o risco de outros shopping ganharem a clientela. O pior é que os serviços podem estar pelas metade, mas os preços estão inteiros. Desabafei, e chego ao filme. Gostei de Além da Escuridão, gosto demais do JJ. Não posso falar daquela que muitos consideram sua maior criação, a série Lost, que nunca vi, mas o JJ cineasta é do cara… Missão Impossível 3, o melhor da série com Tom Cruise (e olhem que gosto de todos os filmes), os dois últimos Star Trek,  em que a narrativa remete às origens da série criada por Gene Roddenberry e o melhor de todos – Super 8. Revi, deve ter sido a 30.ª vez, o filme quando estava em casa, após a cirurgia bucal. Não resisto, cada vez que estou zapeando e entram as imagens, paro, instantaneamente. Acho que JJ poderia assumir, como dele, uma frase que M. Night Shyamalan nos disse em Cancun, na coletiva após a exibição de cenas de Depois da Terra (que também estou louco para ver). ‘Night’ disse que seu cinema volta e meias sofre de um mal-entendido, porque possui elementos de blockbuster, mas não é, e ele temia particularmente por After Earth, que está sendo lançado como filme de verão nos EUA. JJ faz blockbusters, e ao mesmo tempo é de um intimismo visceral, busca o mais como forma de chegar ao ‘essencial’ – o sentimento humano. Além da Escuridão centra-se na oposição entre os personagens de Kirk e Spock. Um, o instinto, a impulsividade do gesto, o outro, o racionalismo extremo, a emoção controlada, pois a ausência de emoção é impossível. O dia em que Spock chorou – é como gostaria de chamar minha crítica ao filme. Isso me lembra até François Truffaut, que também encarava o amor como embate entre o gesto impulsivo e a palavra consciente, e por isso mesmo era um romântico que desconfiava do romantismo. No limite, só os sentimento importam para JJ – Tom Cruise desesperado para salvar a mulher em MI-3, o garoto que identifica no monstro do espaço o olhar dilacerado da própria mãe e aqui a corrida de Spock para salvar Kirk, e entre os dois, além de um vilão que coloca em questão a ética, há também uma mulher. Saí, por volta da meia-noite, do cinema, com a cabeça a mil. Que puta preconceito é esse que diz que filme de grande espetáculo não é para pensar? Quem não pensa, e ‘crítico’, em especial, é de pura preguiça.

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