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Albert Finney!

Luiz Carlos Merten

21 de fevereiro de 2019 | 08h54

Albert Finney morreu no dia 7, num hospital de Londres, aos 83 anos. Em plena Berlinale, a data me passou despercebida. Tornou-se talvez a cara mais conhecida do free cinema inglês por volta de 1960, embora houvesse também o jovem Richard Harris. Descoberto por Tony Richardson (The Entertainer), Finney brilhou como o operário de Saturday Night, Sunday Morning, de Karel Reisz. Tudo começou no sábado, no Brasil. Ele enche a cara, divide a cara, divide-se entre a namoradinha virgem (Shirley Ann Field) e a mulher casada com um colega (Rachel Roberts), que lhe anuncioa estar grávida – e querer o filho. E agorsa, José? Finney – se não me engano o personagem chama-se Arthur – termina o filme na manhã de domingo, sem rumo, confrontado com a m… que é sua vida. Joga pedras – no mundo? Foi melhor ator em Veneza e, três anos mais tarde, com a non chalance de As Aventuras de Tom Jones, de Richardson, ganhou a primeira de suas muitas indicações para o Oscar. Albert Finney veio do teatro, onde foi saudado como um novo Laurence Olivier. Teve grandes papeis, em grandes filmes, um dos quais, por sinal, dirigiu – Charlie Bubbles, a Máscara e o Rosto, de 1967, também com Liza Minnelli. Jean Tulard, no Dicionário de Cinema, lamenta que não tenha prosseguido sua carreira por trás das câmeras. Finney fez o primeiro e até hoje um dos melhores filmes do incansável Stephen Frears – Gumshoe, Detetive Particular. Frears e Finney reabriram, em 1971, o culto bogartiano. Um animador de boastes que admira Humphrey Bogart e sonha ser detetive particular pega em armas. Finney ciscou aqui, ali e, então, em 1984, John Huston deu-lhe seu maior papel, o do cônsul Firmin de À Sombra do Vulcão, baseado no livro (considerado inadaptável) de Malcolm Lowry. Dia dos Mortos em Cuernavaca. O cônsul, alcoólatra, nunca se recuperou quando a mulher o abandonou. Virou alcoólatra, mas agora ela volta, tentando recomeçar, mas certas coisas não têm volta. Nada mais hustoniano – a validade do esforço, a inevitabilidade do fracasso. E dessa vez, ao contrário de A Noite do Iguana, também no México, em admirável preto e branco, a fotografia de Gabriel Figueroa é uma genial celebração da multiplicidade da cor. Procurei, mas não encontrei, um livro que comprei há tempos. The Hellrairsers do ‘brit’ cinema, por volta de 1960. Richard Burton, Richard Harris, Peter O’Tooler, Oliver Reed. Todos beberrões de esgotar o estoque do pub, todos mulherengos, verdadeiros dínamos sexuais. Sou capaz de jurar que Finney era dessa laia (estirpe?). Bebidas, mulheres. Drinking, fucking and acting. Uma receita que a todos levou longe, na arte e na vida.

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