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Aladdin!

Luiz Carlos Merten

18 de maio de 2019 | 11h39

Jamais ousaria definir Guy Ritchie como um grande diretor, que não é, mas tenho de admitir que me divirto muito com os filmes dele. Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes, Snatch – Porcos e Diamantes, Sherlock Holmes. Adorei o fair play com que Charlie Hunnam empunhou a espada do Rei Arthur e a ideia do mais nobre dos homens criado no bordel. Daria um céu de estrelas para o filme, se, no final, o vilão de Jude Law não usasse seus poderes mágicos para criar monstros que me pareceram excessivos. Vi ontem, na cabine de imprensa, Aladdin e a crítica está sob embargo, só na quinta, 23 (para o impresso), quarta, 22, após as 13 h (online). Vou me arriscar. Achei o CGI uma m… e o acabamento do gênio, aquela fumaça que prende Will Smith à lâmpada, me pareceu uma coisa tosca. Mas o filme é uma delícia, com um casal encantador (Mena Massoud e Naomi Scott), o macaco e o papagaio do vilão muito engraçados e o tapete voador, um verdadeiro personagem, com suas manifestações de carinho e desagrado. Gostei, principalmente, dessa ideia tão cara a Ritchie de que o ladrão, o rato das ruas, seja um personagem nobre, e generoso. Sou um velho tolo, sei. Prefiro estar do lado dos desvalidos, dos derrotados e chamar o ladrão ao polícia, se precisar de proteção, nesse abominável mundo novo em que, bem disse Pedro Almodóvar na coletiva de Cannes, após a exibição de Dor e Glória – “Trump despertou o pior de cada país e os loucos de cada casa.” É o que estamos vendo, e foi por isso, como reação, que acho que Emmanuel Macron, sob pressão dos jaunes na França, deu aquele abraço em Raoni, na verdade, um abraço na Amazônia, para simbolizar uma defesa do meio ambiente que Trump e seus lacaios – vocês sabem quem – querem degradar. Cinema, já dizia Nicholas Ray, é a melodia do olhar. E o cinema – Michel Mourlet – começa e se dilata na epiderme dos atores. Guy Ritchie tem o olhar do cineasta. Sabe escolher seus intérpretes. Ali/Aladdin e Jasmine, Massoud e Naomi, ele, um egípcio criado no Canadá. A escolha da fábula, e do elenco, expressa uma tomada de posição em defesa do ‘outro’.