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‘Airis’ e os 90 anos de Nathalia Timberg

Luiz Carlos Merten

12 Outubro 2018 | 22h14

RIO – Terminei indo ao teatro agora de noite. Através da Íris, na Maison de France. Foi lá que assisti a A Casa Assassinada, a adaptação, feita por Dib Carneiro, do romance de Lúcio Cardoso, com direção de Gabriel Villela. Bons tempos – Gabriel dirigia três, quatro espetáculos por ano. Éramos felizes, ou pelo menos eu pensava. (Não estou sendo dramático, só fazendo uma observação.) Através da Íris abre as comemorações dos 90 anos de Nathalia Timberg. O espetáculo – texto de Cacau Hygino, direção de Maria Maya – é um solo da atriz inspirado na figura de Iris Apfel. Aos 97 anos,’Airis’ não é estilista nem editora de moda – como Meryl Streep em O Diabo Veste Prada -, mas virou ícone de estilo. Na peça, Iris concede entrevista para um documentário e a diretora pretende que sua montagem seja um documentário cênico. Não fiquei muito convencido – havia muito mais documentário na Navalha na Carne Negra, meu melhor espetáculo de teatro do ano, até agora. Nathalia ocupa um cenário barroco – “Mais é mais, menos é chato’, “Não sou minimalista; já deu para perceber, não?’ são algumas de suas frases -, sobre o qual se projetam imagens, de tal maneira, é a proposta de Maria, que as ações presenciais dialoguem com as virtuais. Iris conta como forjou sua persona. Foi a uma loja que vendia roupas militares e quis comprar uma calça jeans, o que era impensável na época. Mas ela perseverou, no limite teve a sua calça (de homem) e foi assim que adotou sua liberdade de ser, e vestir, dando lições de autenticidade. Não me aborreci – nem poderia, a coisa toda dura cerca de uma hora -, mas confesso que não me satisfiz. Já que a própria Iris defende o excesso, eu também queria mais, muito mais. Apesar da ‘diva’, achei bem fraquinho.