As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Ainda o viés feminista

Luiz Carlos Merten

04 de setembro de 2017 | 09h02

Tenho tergiversado sobre essa provisória lista de dez melhores filmes do ano, e pergunto quantos, e quais deles chegarão no final de 2017? Ainda faltam quatro meses, as estreias vão se sucedendo, quem garante que (ainda) não veremos grandes coisas? E a toda hora descubro que me esqueci. Era o Hotel Cambridge! Mas um viés se impõe nessa história toda, e é o feminista. Não creio que leve tão longe meu entusiasmo por Charlize Theron, e Atômica, mas Gal Gadot, a Mulher Maravilha? O curioso é que Patty Jenkins, que dirigiu Wonder Woman, também dirigiu Monster/Desejo Assassino, que odeio tanto. Mulher Maravilha tomou de assalto as telas de todo o mundo, ganhou a crítica e o público, virou um êxito planetário. O primeiro blockbuster de super-herpói, no casio, super heroína dirigido por uma mulher. E, sim, elas são capazes – estou expressando não o meu ponto de vista, mas o da indústria, que lhes negava esse ‘espaço do discurso’, como diz Laís Bodanzky. Autores como Christopher Nolan e Zack Snyder têm trazido discussões muito ricas pasra o universo dos blockbuster, e dos super-heróis, mas Patty Jenkins traz a atualíssima discussão sobre ‘gênero’. As femionistas nopsd EUA estão ouriçadas. Por que, em Mulher Maravilha, Trevor/Chris Pine sacrifica-se, e vira o herói salvador da humanidade? Diana/Wonder Woman certamente não precisaria disso para alimentar a própria compaixão e a crença na humanidade. Então – por que? Muita gente vê nisso um derradeiro resquício de machismo. E se não for? E se ao poupar Dr. Poison e abater Ares – um deus não mata outro, lembrou-nos, aqui mesmo no blog, a Cristina Franciscato – o filme estiver querendo passar alguma coisa menos cínica, no contexto do mundo atual? Há muita riqueza dramática e conceitual em Mulher Maravilha. E a aventura ainda é aquele esplendor. Vai pro trono, ou não?

Tendências: