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Ainda o mestre do suspense

Luiz Carlos Merten

10 de outubro de 2020 | 11h09

Muita gente escreveu sobre Alfred Hitchcock, estou falando de livros. Devo ter uns 15 livros sobre o mestre do suspense. Não creio que exista algum melhor do que o de Robin Wood, Hitchcock’s Films, ao qual ele próprio voltou, anos mais tarde – Hitchcock’s Films Revisited. Wood era gay, demoprou a sair do armário. Descobri isso numa dessas revistas de língua inglesa que compro. Alguém – quem? – escrevia sobre seu legado. Wood saiu do armário nos anos 1970. O tema do sexo, wque astravessa a obra de Hitchcock, está no centro do seu livro. Depois de redigir o post anterior, ontem à noite, busquei agora pela manhã o livro. Estou esperando pela coletiva – online – da Mostra, que será seguida por um filme. Wood vai ao ponbto – Marnie não tem a perfeição formal de Vertigo/Um Corpo Que Cai, mas até os seus alegados defeitos contribuem para a aura do filme. São os signos de uma nova liberdade que o mestre adquiriu tardiamante e na verdade, sou eu que digo, começou com Psicose. Quando escrevi no post anterior que Melanie/Tippi Hedren termina por rencontrar em Lydia/Jessica Tandy a mãe que não teve, a afirmação asponta para um happy end, mas não há final feliz em Os Pássaros. O que há é uma ideia de precariedade da existência humana. Quando a nova família abandona a casa, o primeiro plano é ocupado pelos pássaros que se agitam cada vez mais, prenunciando – quem sabe? – outro ataque. Fiz uma pesquisa, há pouco, sobre a data da morte de Robin Wood (2009, em Toronto). Encontrei um link – 51 críticos escolhendo os melhores livros de cinema. Hitchcock’s Films é dos mais citados, e a curiosidade é que existem muitos livros de autores de língua inglesa e francesa. Nada de autores brasileiros – talvez eles surjam agora que Glauber Rocha e Paulo Emilio foram editados em inglês, e seus livros foram elogiados em revistas tradicionais, como FilmComment e Sight and Sound. É como se, aos olhos do mundo, não existisse um pensamento de cinema no Brasil. Mas existe – existimos.

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