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Ainda o centenário de Kirk Douglas

Luiz Carlos Merten

13 Janeiro 2017 | 12h41

BUENOS AIRES – Encontrei no Rio o Mario Abbade em duas sessões de imprensa – de Aliados e Assassin’s Creed. Conversamos sobre o documentário dele sobre Neville de Almeida, em processo de montagem, e o Mário, na segunda vez, me levou o livro que organizou para comemorar o centenário de Kirk Douglas, O Último Durão, com direito a mostra no Museu de Arte Moderna, o MAM, do Rio. O livro está à venda nas livrarias cariocas e, imagino que também, de São Paulo. Reúne uma coletânea de ensaios organizada pelo Mário. O próprio Mário escreve sobre A Montanha dos Sete Abutres, Rodrigo Fonseca sobre Sede de Viver, Daniel Schenker sobre Vinte Mil Léguas Submarinas, Ruy Gardiner sobre Sem Lei, Sem Alma, Marcelo Janot sobre Glória Feita de Sangue, Sérgio Alpendre sobre Vikings, os Conquistadores, Suzana Schild sobre Spartacus, Ricardo Cotras sobre Sua Última Façanha, Mario Abbade (de novo) sobre A Cidade dos Desiludidos etc. O texto de Alpendre me chamou a atenção pelo título – Cinema de produtor – e o produtor era o próprio Kirk, que tiranizava os diretores. Kubrick odiou fazer com ele Spartacus, mas Kirk ironizava que as cena que STanley masis odiava era aquela que ficou no imaginário do público, quando todos os gladiadores vão se levantando para dizer ‘I’m Spartacus’. Alpendre reconhece a maestria das mise-en-scène de Fleischer, e seria difícil não reconhecer. Cahiers, na época, saudou o filme como obra-prima absoluta, dizendo que Hollywood fez muitos filmes bárbasrosd sopbre os civilizados, mas aquele era um filme civilizado sobre os bárbaros. Também me interessei pelo texto sdobre Sua Última Façanha, afinal, o filme preferido do próprio Kirk, escrito por Dalton Trumbo e realizado por um diretor considerado ‘menor’, um artesão – David Miller. Senti falta de um filme visceral, sobre o qual não existe texto, mas que não devia estar na mostra. In Harm’s Way/A Primeira Vitória, obra-prima de Otto Preminger e um dos maiores filmes de Hollywood, nos anos 1960, também com John Wayne e Patricia Neal. Outro que me faltou – Homem sem Rumo, Man without a Star, o belíssimo western de King Vidor. Mas, na realidade, o que lamento que essa mostra não tenha vindo para São Paulo. Celebrar o centenário de Kirek Douglas é celebrar o próprio cinema. E o livro do Mario é um belíssimo registro, com um apêndice de frases ótimas do homenageado. “A vida é como um roteiro brega de filme B. Se me oferecessem a história da minha vida para filmar, eu recusaria.”