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Ainda é cedo, amor

Luiz Carlos Merten

14 de abril de 2020 | 09h58

Dóris, minha ex-mulher, mãe da Lúcia, permaneceu sempre minha grande amiga. Temos falado diariamente pelo telefone, trocando impressões sobre esse transe. Dóris me exortou a ver o canal Curta!, ou será o Arte? Disse que a toda hora passa um documentário sobre os irmãos Taviani, e ela achou os velhinhos encantadores. Tive o privilégio de entrevistar Paolo e Vittorio algumas vezes. Quando venceram o Urso de Ouro por Cesare Deve Morire, participamos, Orlando Margarido e eu, de uma mesa no Palast – o assessor era Richard Lormand, que, se existe um paraíso dos cinéfilos, deve estar nele. Tenho zapeado, sem êxito, atrás desse bendito documentário, mas ontem, no Curta!, terminei fazendo um duplo que amei. Já havia visto o documentário de Ana Rieper sobre Clementina de Jesus. Impossível esquecer. A juventude de Paulinho da Viola, a receita de feijoada de Clementina e Vera de Jesus no fogão, explicando como Dona Clementina – emocionante o tratamento respeitoso de Alcione – fazia o doce de abóbora. Tem de mexer com a colher de pau numa direção e, depois, em outra, até atingir o ponto. Na sequência, vi o capítulo de 101 Canções, a série de Nelson Motta que nem sabia que existia. Chico Buarque, Olhos nos Olhos. ‘Quando você me deixou, meu bem/me disse pra ser feliz, e passar bem’. E Cartola – ‘As rosas não falam/simplesmente as rosas exalam/o perfume que roubam de ti, ai’. E A Vida É Um Moinho:
Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar
Como disse o Nelson, não se trata das 101 melhores músicas, mas canções que fazem parte do dele, do meu, do nosso imaginário e ajudaram a esculpir a identidade musical brasileira. Minha série de clássicos no portal do Estado também não pretende mapear os melhores filmes de todos os tempos, mas obras que me marcaram e sobre as quais estou tendo imenso prazer de escrever.

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