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Ainda a Palma de Ouro

Luiz Carlos Merten

24 de maio de 2016 | 11h32

PARIS – Em Le Monde, na edição desta terça, 24, Isabelle Regnier não se conforma com a premiação do júri de George Miller, que não reflete, ela escreve, a audácia excepcional dos grandes filmes em competição este ano. Isso não significa atirar no vitorioso, porque ela lembra que o jornal elogiou I, Daniel Blake, de Ken Loach, e enfatiza que se trata de mais belo (e emocionante) filme em que o cineasta inglês denuncia com vigor a privatização dos serviços públicos e o sistema de humilhação e controle social que, cada vez mais, atinge a base da pirâmide. Isabelle irrita-se com o que considera a excessiva prudência do júri. Seu favorito era o punk Toni Erdmann, da alemã Maren Ade, e ela cita Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, como um grande filme de resistência, acrescentando que, num ano de grandes personagens femininas, Sonia Braga, no filme de Kleber, e Isabelle Huppert, no de Paul Verhoeven (Elle), elevaram o patamar das interpretações, e só o júri não se deu conta disso. Estou acrescentando o post só para deixar claro que nosso – dos brasileiros em Cannes – entusiasmo pelo filme do Kleber não foi patriotada. Mas também porque, de toda a premiação, Le Monde não retém que um grande filme, e foi um que a maiorias da crítica do Brasil amou odiar. A menos quie tenha havido alguma mudança, fui, aqui entre nós, um solitário defensor de Juste la Fin du Monde, de Xavier Dolan, que recebeu o Grand Prix, o segundo prêmio em importância. Isabelle Regnier coloca Juste la Fin… na categoria dos grandes filmes amplos, que abraçam o mundo. Foi assim que me senti com o retrato de família que Dolan retirou da peça de Jean-Luc Lagarce. Nesses filmes amplos ela situa também outro de meus favoritos – La Mort de Louis XIV, de Albert Serra, hanté (assombrado) pela presença mítica de Jean-Perre Léaud. E Isabelle Regnier provoca – quando o festival é ruim, o júri quase sempre acerta. Quando é grande, como foi este ano, e o júri tem muito o que escolher, erra…