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Ainda a maratona de Lucas

Luiz Carlos Merten

22 de abril de 2015 | 09h58

Hayden Christensen ainda não era nascido quando George Lucas iniciou a saga Star Wars/Guerrra nas Estrelas em 1977. Tinha 2 anos (2!) quando Lucas concluiu a primeira, que depois virou segunda trilogia, em 1983. Mas é a imagem dele que aparece no fecho de O Retorno de Jedi. Christensen foi inserido digitalmente nas cópias do filme, substituindo Sebastian Shaw, que aparecia originalmente como o espírito de Anakin (é um N só) Skywalker. Não fiquei ontem as mais de 14 horas postado diante da TV para ver as duas trilogias que compuseram a maratona Star Wars do Telecine Cult. Êta dublagem medonha! Vi o primeiro filme, que depois virou Episódio 4, e fui revendo partes dos demais. Fui ao cinema – ver Al Pacino em Não Olhe para Trás, e depois eu conto. Quando cheguei em casa já começara a batalha na lua de Endor, quando os ewoks ajudam Han Solo, Leia e Chewbacca a resolver a parada, destruindo o escudo protetor da Estrela da Morte, enquanto Luke enfrenta o pai, tentando retirar o jedi Anakin da couraça de Darth Vader. É muito legal a ideia da rebelião contra o Império, e o lado sombrio da Força, mas me diverte muito saber que Lucas se inspirou em seu pet/cachorro para fazer os ewoks. Parecem bichinhos de pelúcia e não tenho dúvidas de que Joe Dante se inspirou nos ewoks para conceber o doce Gizmo, origem dos maléficos Gremlins. Continuei gostando de O Retorno de Jedi, da forma como as relações se esclarecem (Leia e Luke irmãos, filhos de Anakin, e Darth Vader que se volta contra seu mestre no lado escuro), mas tenho de admitir que, além da péssima dublagem, me decepcionei com os efeitos, que parecem muito primitivos, mas ganharam o Oscar de efeitos visuais, e ou eu me engano muito ou foi o único atribuído ao filme naquele ano. As fantasias científicas e ois super-heróis já começavam a ditar as cartas e Hollywood reagia, como faz até hoje, no Oscar. Os blockbuster pagam a conta, mas no Oscar… Me desculpem a incorreção, mas Henry Cavill pode ser extraordinário como o Superman de Zack Snyder, mas não foi nem lembrado. Ganhou o tortinho da vez, que nem lembro mais quem era. Volto a 1983. Foi o ano em que Laços de Ternura, de James L. Brooks, ganhou e também concorreram O Reencontro, de Laurence Kasdan (que escreveu Jedi com Lucas), O Fiel Camareiro, de Peter Yates, e Os Eleitos, de Philip Kaufman, que tinha efeitos e era espetacular, mas propunha aquele olhar desmistificador e humano sobre a aventura espacial norte-americana. Foi o ano de Ingmar Bergman, também, e ele ganhou o Oscar de filme estrangeiro (seu terceiro!) por Fanny e Alexander. No limite, mesmo na delirante aventura com os cãezinhos de Lucas, metamorfoseados em guerreiros do espaço, voltamos ao humano, aos velhos conflitos entre pais e filhos. Uma coisa, para terminar. Não me conformo que não seja a cara de James Earl Jones, que dá voz a Darth Vader, a aparecer quando sua máscara é removida. E pensar que já estive face a face com Lucas, em seu rancho, e com tanta coisa para perguntar esqueci-me disso…

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