As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Ai, que preguiça

Luiz Carlos Merten

28 de agosto de 2013 | 17h47

Não, não se trata de Macumaína, mas de outro tipo de adaptação. Confesso que havia adorado a chamada de Percy Jackson e o Mar de Monstros – in demigods, we trust, para rimar com ‘In God we trust’, inscrito nas notas de dólares.  Somando-se a isso o fato de meu lado juvenil ter apreciado o primeiro longa do herói, dirigido por Chris Columbus, admito que tinha expectativa pelo filme que estreou durante o Festival de Gramado. Achei o ó, ruim demais, e olhem que, a rigor, o Columbus, embora seja um hábil formatador de séries – Esqueceram de Mim, Harry Potter – não é nenhuma brastemp. Mas confesso que pior que Os Instrumentos Mortais – Cidade dos Ossos, não há. O filme baseia-se na série de livros de Cassandra Clare e esse tipo de literatura infantojuvenil já virou uma vertente específica – no cinema, inclusive, veja-se o próprio Percy Jackson, que também bebe nos livros de Rick Riordan. Não creio que o problema fosse o meu desconhecimento da saga de Clary, a protagonista. Com alguma boa vontade pode-se achar interessante que a garota, em pleno rito de passagem, faça descobertas sobre sua família e os poderes que herdou da mãe, mas confesso que as duas horas de duração me pareceram longuíssimas, com mais subtramas que seria desejável. E dê-lhe dispersão, e dê-lhe efeitos. O filme está sempre recomeçando e, aos 46 minutos do segundo tempo, ao invés de terminar seu relato, o diretor Harald Zwart, do remake de Karate Kid, ainda está introduzindo o vilão (e novas revelações sobre os personagens do longa). Certas coisas são curiosas – Clary se liga a um carinha andrógino, que é objeto de desejo de outro garoto, e homossexualismo, nesse tipo de filme, é coisa rara (pelo menos em termos de se assumir). No meu canto, e já exausto, só queria que o pesadelo terminasse. Mas como, se o vilão-mór, Jonathan Rhys-Meyers, ainda estava adentrando, e com disposição para matar? Imagino que os fãs dos livros vão creditar minha falta de entusiasmo à ignorância sobre o universo criado por Cassandra Clare. Pode até ser, mas acho que o problema real é a adaptação. É um filme que vai aos trancos e barrancos, disparando para todos os lados, como se a roteirista (estreante) Jessica Postigo tivesse medo de concentrar o foco, desagradando leitores. Querendo agradar a todo mundo, a mim., com certeza, desagradou.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: