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Agosto favorece duas senhoras atrizes, Guida Vianna e Letícia Isnard

Luiz Carlos Merten

15 de julho de 2018 | 01h27

Fui ver à tarde Arranha-Céu, puta aventura, e à noite Agosto. Tomei um choque. A produção da peça é de Maria Siman, que foi denunciada e investigada pelo Ministério Público por fraudes orçamentárias na peça de Dib Carneiro Neto, Pulsões. Vocês podem investigar na internet e vão encontrar matéria no Globo online. Imagino que, se Maria continua captando e produzindo, é porque o processo foi arquivado. Agosto é mesmo a peça que deu origem ao filme Álbum de Família, de John Wells. A montagem não é brilhante, mas honesta. O elenco é bom. O diretor André Paes Leme deve ser chiquérrimo, com seu nome de rua, que volta e meia pego para entrar na Rua dos Pinheiros e na rua da minha casa, a Joaquim Antunes. Paes Leme reza na cartilha de Gabriel Villela. Ator tem de projetar a voz. Guida Vianna e Letícia Isnard que o digam. Interpretam as personagens de Meryl Streep e Julia Roberts no filme. Confesso que tenho visto coisas horríveis no teatro de São Paulo. Regina Duarte com ponto, destoando completamente do conceito da interpretação de seus colegas de elenco em O Leão no Inverno – o horror, o horror. Não sou o maior fã de Newton Moreno, autor de As Centenárias, mas teria gostado mais do texto e da montagem de Justa se dois atores que admiro muito, Yara de Novaes e Rodolfo Vaz, não estivessem usando microfone. Por que, se os dois têm boa dicção e seriam ouvidos em toda a sala? O microfone, além de facilidade, vira estilo. Depois disso, quero dizer que o choque continua desde que li a matéria de capa da Carta Capital desta semana, sobre Fernando Henrique Cardoso, O Príncipe da Casa Grande. A reportagem sustenta, com riqueza de informações, que o ex-presidente amealhou uma fortuna acima de qualquer suspeita por meio de um imbróglio que envolve pecuaristas, banqueiros e empreiteiros. Como se não bastasse, a matéria seguinte da revista, Vale Tudo Judicial, aborda a patética batalha de despachos sobre o ex-presidente Lula e a facilidade com que o juiz Sérgio Moro, sustentado pela grande mídia, faz o que bem entende. Remember Paulo Moreira Leite, seu livro sobre a lava-jato (A Outra História…). Como uma operação necessária para estancar a corrupção no Brasil se tornou uma ameaça à democracia. A coisa não anda fácil…