As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Agora, Vanja!

Luiz Carlos Merten

29 Janeiro 2015 | 10h44

TIRADENTES – As coisas não têm andado fáceis, aqui nas Gerais. Todo dia, à tarde, tem chovido, com queda de energia. Ontem, a pane foi geral, na cidade toda. Para complicar, a capa do Caderno 2 teve de ser mudada e eu, claro, ainda não havia entrevistado o diretor Paulo Fontenelle bem Maria Eugênia Martins, a viúva de Cássia Eller, justamente por Cássia (o filme). A todas essas, fomos almoçar em Bichinho, no Tempero da Ângela – Dib Carneiro, Pedro Butcher, a Cecília, de Brasília, o Rafa, de Salvador, e eu – e à tarde eu queria ver a sessão de curtas com o Ossos, de Helena Ignez. Estava quase chegando lá, tudo dando certo, apesar dos percalços, quando morreu Vanja Orico, no Rio. Escrevi o texto correndo, e creio ter cometido um erro, que ainda não chequei. Evangelina (Vanja) Orico estreara no cinema, na Europa, em Luci del Varietà/Mulheres e Luzes, o primeiro Federico Fellini, codirigido por Alberto Lattuada. Ela fora à Itália para estudar música e o fato de haver atuado lá com certeza tornou-a atraente para a Vera Cruz, que foi, afinal, um sonho de italianos ricos no Brasil. Vanja atuou (e cantou) em O Cangaceiro, de Lima Barreto. Cantou Muié Rendera, o hino dos cangaceiros, mas coloquei que cantou também Sôdade, e depois de enviar o texto (e a energia caiu de novo), me bateu que essa quem cantava era Inezita Barroso. E é? Vanja trabalhou com Carlos Coimbra (Lampião, o Rei do Cangaço e Independência ou Morte) e em Ele, o Boto, de Walter Lima Jr., como uma das mulheres na aldeia de pescadores. Tinha um tipo agreste, bom para criar cangaceiras e mulheres do povo, mas até onde sei era uma mulher sofisticada, modelada, culturalmente, pela experiência europeia, mas sem perder suas raízes. Perdemos num dia Suzana de Moraes, no outro Vanja Orico. Música e cinema andam de luto, por esses dias.