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Adormecida!

Luiz Carlos Merten

21 de julho de 2013 | 18h42

Errei, sim, mas não manchei o nome de ninguém. Vejam como são as coisas. Passei ontem no Centro por uma loja que vende discos, livros e DVDs antigos, ali na São João. Havia um monte de fotos de grandes nomes da MPB  Dalva de Oliveira, Orlando Silva, Nora Ney. Dalva! Lembrei-me de cara, entre tantas músicas possíveis, de Errei, sim, de Ataulfo Alves (As joias que me davas/não tinham nenhum valor…) E Nora Ney! Ninguém me Ama/Ninguém me quer… Grande Antônio Maria. A menos que esteja delirando, tenho certeza de que Nora cantou a música em Carnaval Atlântida, lendária chanchada de José Carlos Burle na Atlântida. Cinema de resistência, estética da paródia. O grande diretor Cecil B. de Milho quer fazer uma versão da história de Helena de Troia e contrata o maior especialista do mundo no assunto, o professor Xenofontes. Oscarito, Grande Otelo, Eliana Macedo, Cyll Farney, José Lewgoy… e Maria Antonieta Pons! Quem nunca viu a estrela cubana cantando Siboney e dançando rumba não pode arrotar latinidade, sorry. Saí da Nora Ney e caí numa das mais populares estrelas da era de ouro do cinema mexicano – e tem gente que jura que ela foi a maior! Só registro, mas não posso aceitar que ela tenha sido maior do que Maria Félix. Se houve um mito feminino no cinema latino foi a icônica Maria, La Doña e também la diosa arrodillada. Entrem na rede e procurem a galeria de fotos de Maria Félix. Que que é aquilo? E todo esse delírio começou comigo olhando as fotos de Dalva de Oliveira e Nora Ney, viajando nas lembranças e pensando num post. Dalva teve aquela relação tumultuada com Herivelto Martins. Brigavam e lavavam a roupa suja por meio da música. Nora Ney foi casada com Jorge Goulart e até onde me lembro ele era comunista de carteirinha. Depois do golpe militar, o casal teve de se exilar. Tudo isso também faz parte do meu imaginário. Mas, enfim, pensava no post possível quando recebi o e-mail da Kenya, da Imovision, observando que no post sobre o filme de Benito Zambrano errei o título. Coloquei A Voz da Escuridão, quando é A Voz Adormecida. Poderia ter corrigido no próprio post, mas prefiro acrescentar este, admitindo meu erro – Errei, sdim! – e aproveitando para falar de Dalva, Nora e das duas Marias. Curioso é que fiz um texto para o Caderno 2 de amanhã e, no limite, antes de ver o e-mail da Kenya, percebi que estava chamando o filme de Zambrano de A Voz Silenciosa! É título demais para um só filme, por mais interessante que seja.

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